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Em visita a PE, Dilma recebe flores e volta a afirmar ser vítima de golpe

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Dilma Rousseff visitou a UFPE, no Recife, e foi recebida com flores (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

 

Do lado de fora do auditório, muita gente aguardava Dilma (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

Dilma discursou em cima de palanque montado no Pátio do Carmo por cerca de 30 minutos (Foto: Reprodução/TV Globo)

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) fez, nesta sexta-feira (17), a última parada de um giro pelo Nordeste. Cercada por simpatizantes, a petista foi recebida com flores e pedidos de “Volta Querida” na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no início da tarde. Durante o discurso na universidade, Dilma voltou a afirmar que vive, atualmente, num cenário de golpe político.

“Nunca achei que voltaria a lutar contra o golpe e a favor da democracia. É golpe porque, mesmo estando na constituição, esse impeachment não tem base. Esse impeachment opera na questão política já que não há crime de responsabilidade”, pontuou.

O auditório lotado (240 lugares) parecia ser regido a cada pontuação de Dilma. Eram gritos de “Fora Temer”, “Temer golpista”, “Dilma guerreira da pátria brasileira” e “Fora Mendonça (ministro da Educação)”. Quem não conseguiu entrar, acompanhou todo o discurso em um telão montado do lado de fora.

“Vamos dizer bem alto que a injustiça dói. Nós somos madeira de lei que cupim não rói”, cantou ao ser aplaudida. A fala é uma referência à música ‘Madeira que cupim não rói”, de Capiba, uma das mais tradicionais do carnaval pernambucano.

A presidente afastada ainda chegou a listar o que levou ao que chama de golpe. “São duas causas profundas. A primeira, como eles mesmos revelaram nas últimas gravações, era barrar as investigações da Lava Jato. Esses conspiradores, o ex-vice presidente [Michel Temer], o ex-presidente da Câmara [Eduardo Cunha], o baixo clero e a mídia golpista. Já a segunda é que não conseguiram aplicar programas que eu consegui”.

Ao fim, fez questão de diferenciar o golpe militar do que diz estar vivenciando agora. “Eu vivo os dois. No primeiro, ele derrubou as garantias democráticas para tirar um governo popular. Já esse tem uma caraterística parasita. Eles atacam as instituições porque são elas que garantem a democracia”, acredita.

Apoio
Formado por docentes, técnicos e estudantes de universidades e instituições de pesquisa do estado, a vinda da presidente afastada foi um convite do Coletivo pela Democracia. A escolha da UFPE para receber Dilma foi muito bem aceita pelo reitor da universidade, Anísio Brasileiro, um defensor declarado dela.

“Sua luta é nossa luta. Seu exemplo nos leva a compactuar com o restabelecimento do estado democrático de direito. disse. Nós não podemos renunciar as conquistas sociais”, disse a professora Fátima Veras, integrante do coletivo. Em seguida, voltou a compor a mesa composta pelos deputados federais Luciana Santos (PT) e Silvio Costa e os senadores Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro (PTB). O reitor da UFPE e representantes estudantis também estavam na mesa de discussão.

No lado de fora, uma multidão a aguardava desde cedo em uma tenda montada no lado de fora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA). Flores, cartazes e camisetas pediam a volta de Dilma ao poder. Na chegada, com uma hora de atraso, o carro que trazia a presidente afastada era seguido por mais quatro e uma ambulância. Para delírio dos que a esperavam ansiosos, ela chegou a entrar direto no auditório, onde fez seu discurso, mas voltou para atender a multidão. Com um boné escrito “Não vai ter golpe”, tirou selfies e tentou abraçar todos.

Pátio do Carmo
Por volta das 17h50, a presidente afastada chegou ao Pátio do Carmo, no Centro do Recife, para participar do evento ‘Mulheres pela democracia e contra a violência’. Recebida com fogos de artifício, ela subiu ao palanque para discursar. Por cerca de 30 minutos, voltou a criticar o processo de impeachment e o governo do presidente em exercício Michel Temer, que chamou de “governo de homens brancos, ricos e velhos”. Foi o último compromisso de Dilma nesta primeira visita a Pernambuco desde que foi afastada da Presidência.

O evento foi organizado pela Frente Brasil Popular, que reúne entidades como MST, UNE, CUT e partidos políticos como PT e PCdoB. A organização e a PM não divulgaram estimativas de público.

Nessa leva de viagens pelo Nordeste, Dilma passou por João Pessoa (PB) e Salvador (BA). Na capital baiana, recebeu o título de cidadã. De acordo com a programação divulgada, após o ato no Pátio do Carmo ela voltará a Brasília.

Thays Estarque

Do G1 PE

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