Home Pernambuco Por Bolsonaro, uma “Rede de discórdia” em PE

Por Bolsonaro, uma “Rede de discórdia” em PE

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No dia seguinte à aliança com o coronel Meira firmada pelo candidato ao Governo de Pernambuco, Julio Lossio (Rede), que sinalizou uma abertura de seu palanque a apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL), a executiva estadual da Rede divulgou, nesta quinta (13), uma nota desautorizando o apoio e advertindo Lossio. Na mensagem, o partido afirma que não foi consultado e repudia as posições do presidenciável. O movimento do ex-prefeito não foi combinado previamente com colegas de chapa nem com o partido, fato que gerou divergências internas.

“A Comissão Executiva Estadual da Rede Sustentabilidade vem a público desautorizar qualquer aliança de seus candidatos majoritários com apoiadores da candidatura de Bolsonaro, em Pernambuco, utilizando a legenda da Rede. A direção estadual do partido não foi consultada sobre o apoio que seu candidato a governador, Julio Lóssio, recebeu do coronel Meira, um dos principais representantes de Bolsonaro no estado”, diz nota da Rede.

Lóssio minimizou o comunicado. “Acredito que seja um movimento isolado e que faltou uma comunicação adequada. Um partido que prega pela não discriminação não pode discriminar segmentos que pensam diferente”, explicou, sem mudar de posição sobre a aliança.

A decisão tomada de forma isolada fez com que todos os seus colegas de chapa soubessem da notícia depois do fato consumado, pela imprensa ou em eventos de campanha. E o incidente ainda expôs a falta de coesão interna da legenda em Pernambuco. O candidato a vice-governador, Luciano Bezerra, integrante da executiva estadual da Rede, revelou que não estava sequer sabendo da nota divulgada, assim como o próprio Julio desconhecia o posicionamento do partido sobre o assunto.

Luciano Bezerra, no entanto, descartou problemas internos no partido e minimizou o apoio do coronel Meira a Lossio. “Nós não estamos fazendo aliança com Bolsonaro, estamos recebendo apoio de eleitores”, ponderou.

Com atuação marcada na área de direitos humanos, a advogada Adriana Rocha, também postulante ao Senado pela Rede é talvez, dentre os candidatos majoritários, a que tenha mais a perder com a associação da campanha de Bolsonaro a seu líder de palanque, por conta das pautas conservadores que ele defende. Contudo, ela negou ter ficado constrangida. “Isso geraria constrangimento se o apoiamento fosse a mim. Estou numa chapa majoritária, tenho realmente um eleitorado próprio pela minhas lutas na OAB, sou da Comissão da promoção da Igualdade, então eu procuro ser muito coerente entre meus discursos e as minha prática, senão não teria nem necessidade de entrar na política agora”, afirmou Adriana. Ela contou que ficou sabendo da notícia no dia que o apoio foi fimado, ao ser apresentada ao coronel Meira por Julio Lossio, em evento do partido.

“Que fique claro que não vou me desviar em um minuto daquilo que eu acredito, que é a defesa dos direitos humanos, que é a valorização da mulher na política e a visão de que a política não se faz com violência, mas com debate, e o eleitor que aderir a minha campanha vai saber exatamente quais são as minhas pautas”, esclareceu. “Eu vou responder pelas minhas próprias atitudes e eu dividir com a Rede, que é o partido que eu aderi. Porque eu também não penso igual a Julio, eu não sou vice-candidata de Julio, eu não tenho que aderir a pauta de Julio, eu tenho uma candidatura majoritária independente. O apoio foi exclusivamente a Julio e eu continuo extremamente coerentre com minhas pautas pelos direitos humanos e com a candidatura de Marina, que em muitos pontos é frontalmene contrária às ideias de Bolsonaro”, lembrou Adriana.

Já o candidato ao Senado da Rede, Pastor Jairinho, preferiu adotar o tom conciliador ao comentar o assunto em sabatina à Rádio Folha. “Politicamente nós temos divergências, mas queremos o melhor para o Brasil. Acredito que será conversado com a direção (da Rede) sem nenhuma dificuldade. Nós temos que entender que esse momento é de união aqui para o Estado de Pernambuco”, disse.

Jairinho preferiu avaliar positivamente o apoio do coronel Meira a Julio Lossio. “Todo apoio que é dado sempre será bem vindo (…) eu sou Marina Silva, a Rede é Marina Silva, o palanque é de Marina Silva, mas há os eleitores de Bolsonaro aqui e eles procuram no Governo do Estado alguém que os represente, então a gente precisa ter a maturidade de entender o que queremos, que é o melhor para Pernambuco”, afirmou.


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