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CPI da COVID: ‘Cloroquina era tecnicamente inadequada’, diz Teich

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Ele informou aos senadores que não ficou ciente de nenhuma produção do medicamento pelo Exército e nem ao menos de distribuição à população indígena. (Foto: Marcelo Casall Jr/Agência Brasil)

Ex-ministro da Saúde esteve à frente do cargo por menos de um mês e saiu pela recomendação inadequada do medicamento sem eficácia comprovada cientificamente.

O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, disse à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID no Senado que a recomendação de hidroxicloroquina ‘era tecnicamente inadequada’. Ele apontou que esse foi um dos motivos que o levou a deixar o cargo, que conduziu entre 16 de abril a 15 de maio de 2020, sendo o sucessor de Luiz Henrique Mandetta.

“É uma conduta, que pra mim tecnicamente, era inadequada. Isso não é para a cloroquina, é de qualquer medicamento. Existe uma metodologia, quando você faz um estudo clínico e era isso que eu recomendava na época. Ainda existia muita incerteza e o que eu colocava era que se tivesse que recomendar algum medicamento, que isso deveria ser feito através de estudo clínico”, afirmou.  “No estudo clínico as pessoas são monitoradas de perto, até nos hospitais era mais seguro porque ela tá dentro de uma instituição que dá condições dela ser cuidada rapidamente. Quando você extrapola isso para o ambulatório, esse nível de cuidado se não for num estudo clínico ele não é acompanhado”, explicou.

Para Teich, o problema está no descontrole para avaliar se a cloroquina é eficiente. “Mesmo no estudo clínico, no geral, quando você tem o recrutamento das pessoas que vão fazer o estudo, aquelas pessoas com maior risco de ter complicação são excluídas. Então, na prática, você só consegue ter o teste real quando ele é usado em larga escala. O problema de você ter que trazer o medicamento para o uso ambulatorial para doença leve a moderada, é que a chance de ser extrapolado para prevenção é grande e cada vez você aumenta mais o espectro de pessoas que vão ser expostas ao medicamento de forma não controlada e com risco “, relatou.

O ex-ministro foi questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre a gravidade da recomendação do medicamento sem eficácia comprovada cientificamente. “É um medicamento que tem efeitos colaterais. Na verdade o problema era a gente não ter dados do benefício, mas essencialmente era a preocupação do uso indevido. Era mais uma discussão de condução do que o remédio especificamente”, respondeu Teich.
Ele informou aos senadores que não ficou ciente de nenhuma produção do medicamento pelo exército e nem ao menos de distribuição à população indígena.

O que é uma CPI?

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são instrumentos usados por integrantes do Poder Legislativo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) para investigar fato determinado de grande relevância ligado à vida econômica, social ou legal do país, de um estado ou de um município. Embora tenham poderes de Justiça e uma série de prerrogativas, comitês do tipo não podem estabelecer condenações a pessoas.
Para ser instalado no Senado Federal, uma CPI precisa do aval de, ao menos, 27 senadores; um terço dos 81 parlamentares. Na Câmara dos Deputados, também é preciso aval de ao menos uma terceira parte dos componentes (171 deputados).
Há a possibilidade de criar comissões parlamentares mistas de inquérito (CPMIs), compostas por senadores e deputados. Nesses casos, é preciso obter assinaturas de um terço dos integrantes das duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional.

O que a CPI da COVID investiga?

Instalada pelo Senado Federal em 27 de abril de 2021, após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a CPI da COVID trabalha para apurar possíveis falhas e omissões na atuação do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. O repasse de recursos a estados e municípios também foi incluído na CPI e está na mira dos parlamentares.
O presidente do colegiado é Omar Aziz (PSD-AM). O alagoano Renan Calheiros (MDB) é o relator. O prazo inicial de trabalho são 90 dias, podendo esse período ser prorrogado por mais 90 dias.
Matheus Muratori/Estado de Minas

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