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Estado de PE notifica seis mortes por arboviroses; uma no Sertão

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Por Diário de Pernambuco 


Profissionais de saúde estão sendo capacitado para o manejo clínico do paciente suspeito para alguma arbovirose

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) notificou este ano, até o dia 16 de fevereiro, seis óbitos para arborivoses no estado. O primeiro óbito foi registrado no dia 8 de janeiro. A vítima foi um homem de 46 anos do município de Ipojuca. No dia 1 de fevereiro, uma mulher de 59 anos, morreu, em Camaragibe. No dia 9 de fevereiro, foi a óbito um homem de 39 anos, no município de Custódia. No dia 12 deste mês, um menino de oito anos, também perdeu a vida, no município de Bezerros. No dia seguinte, um adolescente de 15 anos, foi a óbito em Arcoverde e nesse mesmo dia, um bebê de quatro meses, morreu em São Benedito do Sul. Todos os casos estão sob investigação.

A orientação médica é procurar atendimento o mais rápido possível. “Os pais ou responsáveis precisam ficar atentos para mudança no comportamento das crianças, que podem ficar molinhas, apresentar quadro febril, vômito, diarréia. Nessas situações, é preciso relembrar de manter a hidratação, indispensável para evitar o agravamento, e seguir imediatamente para um serviço de saúde”, avisa a infectologista pediátrica do Huoc Regina Coeli.

Até o dia 16 de fevereiro, Pernambuco notificou 1.800 casos de dengue (182 confirmados), 262 de chikungunya (5 confirmados) e 86 de zika (1 confirmado). Quando comparadas as notificações de 2019 com o mesmo período de 2018 percebe-se uma redução de 9,5% nos casos de dengue e 30,1% nos de chikungunya. Em relação à zika, houve um aumento nas notificações de 4,9%.

Apesar da redução, o estado está em alerta para o aumento das notificações no Sertão. A principal preocupação é com a VII Gerência Regional de Saúde (Geres), que engloba sete municípios, entre eles Salgueiro. Na região, houve um aumento de 5.233% nas notificações de dengue (foram 9 em 2018 e 480 em 2019) e 800% nos de chikungunya (5 em 2018 e 45 em 2019). Também chama atenção o aumento nas notificações de dengue na X Geres, com sede em Afogados da Ingazeira e que compreende mais 11 municípios (foram 10 notificações de dengue em 2018 e 36 em 2019, um aumento de 260%).

“Todo óbito suspeito precisa ser investigado pelo município com o apoio do Comitê Estadual de Discussão de Óbitos por Dengue e outras Arboviroses. Diversas informações são verificadas, como início dos sintomas do paciente, doenças pré-existentes, prontuários médicos dos serviços de saúde por onde ele passou. Com todas as informações, o comitê debate para concluir se o caso foi por alguma das arboviroses ou se teve outra causa”, afirmou a gerente do Programa de Controle das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes.

É preciso ficar atento aos sintomas. No caso da dengue, são febre alta (39º a 40º), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias; dor de cabeça, dores no corpo e articulações, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas.

Para chikungunya, febre alta, dores intensas nas articulações dos pés e mãos, além de dedos, tornozelos e pulsos. Outros sintomas possíveis são dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. E zika, normalmente, a doença é assintomática e tem evolução benigna em até uma semana. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos.

A SES iniciou hoje uma capacitação, que reúne profissionais de saúde de serviços de urgência e emergência para tratar do manejo clínico do paciente suspeito para alguma arbovirose. O objetivo da atividade, realizada anualmente, é apresentar a atual situação epidemiológica do Estado e relembrar os sinais e sintomas característicos da dengue, chikungunya e zika.

O evento, organizado pelas gerências de Urgência e Emergência e de Controle das Arboviroses da SES, ocorre no auditório da Secretaria, no bairro do Bongi, no Recife, com transmissão via webconferência para todas as Gerências Regionais de Saúde (Geres). A expectativa é acolher cerca de 300 profissionais com a iniciativa e que esses se tornem multiplicadores das informações nos seus serviços – hospitais estaduais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), postos de saúde, policlínicas. A capacitação será dada pela gerente do Programa de Controle das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes, e os infectologistas Luciano Arraes e Regina Coeli.

“Neste ano, estamos percebendo um aumento no número de notificações no Sertão pernambucano, região que não apresentou tantos adoecimentos nos anos anteriores e que, por isso, está com a população mais suscetível. Vamos apresentar esses dados para que as equipes de saúde tenham um panorama da situação do Estado e fiquem alertas em seus serviços para notificar e tratar em tempo oportuno os casos suspeitos para dengue, chikungunya ou zika. Isso é essencial para evitar o agravamento do quadro e óbitos”, afirma a gerente do Programa de Controle das Arboviroses da SES, Claudenice Pontes.

Claudenice ainda reforça a importância de o público procurar assistência no serviço de saúde mais próximo a sua residência e evitar a automedicação, para que não haja o agravamento do quadro. “A notificação do paciente suspeito para arbovirose é obrigatória pelo profissional de saúde. É por meio dela que podemos verificar a situação dos municípios e o que pode ser feito para evitar novos casos”, avisa.

O infectologista Luciano Arraes, médico dos hospitais Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) e Correia Picanço (HCP), irá apresentar a sintomatologia da dengue, chikungunya e zika. “Vou explicar como pode ser a abordagem inicial ao paciente e os caminhos para se pensar em um caso de arbovirose. Também vou mostrar quais os exames para um diagnóstico definitivo e a forma de tratamento”, explica o médico. Ele ainda trará informações sobre febre amarela, doença que não está em circulação em Pernambuco, mas que tem casos em outras regiões do país.

Neste ano, o estado realizou o trabalho de pulverização (uso de bombas costais e com o popularmente chamado de carro fumacê) para promover o bloqueio da transmissão viral nos municípios de Salgueiro e Custódia. Em ambos os municípios, foram realizadas visitas técnicas em unidades de saúde para fazer busca ativa de casos. Os gestores municipais também receberam orientações para otimizar o trabalho de campo para combate ao mosquito Aedes aegypti.

“O trabalho de pulverização é feito após uma rígida análise técnica e em casos específicos. Para que isso não seja preciso, os municípios precisam manter suas ações de campo periódicas. Além disso, toda a sociedade pode ajudar a conter a proliferação do Aedes aegypti, evitando manter recipientes com água e sem tampa em casa, além de não deixar entulhos no entorno que possam servir de criadouro para o mosquito”, lembra Claudenice.

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