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Moradores ficam ilhados, e casas são invadidas pela água em meio a chuvas no Grande Recife

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As fortes chuvas que atingem o Grande Recife deixaram pessoas sem ter como sair das residências, nesta quinta-feira (4). Em alguns bairros, a água invadiu casas e os moradores perderam móveis e outros bens (veja vídeo acima). Desde a terça (2), as chuvas têm causado transtornos.

Uma mulher morreu, na quarta-feira (3), após entrar com o carro em um túnel alagado, na Zona Sul do Recife. O local estava sinalizado nesta quinta-feira e tomado mais uma vez pela água. Além desse caso, nos últimos dias, muros caíram e casas foram interditadas tanto no Recife, quanto em Jaboatão dos Guararapes.

Nas últimas 24 horas, a cidade em que mais choveu foi Paulista, no Grande Recife, com 84 milímetros, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). Em Olinda, foram 67 milímetros e no Recife, 51.

Um acumulado superior a 50 milímetros em 24 horas é considerado um registro de chuvas fortes, segundo a Apac.

Para esta quinta-feira (4), a expectativa da Apac era de que chovesse menos que no dia anterior. Mesmo assim, no bairro do Bongi, na Zona Oeste do Recife, o morador Baltazar Silva contou que a Rua Angelo Agostini parecia um rio de tanta água. Segundo ele, os carros passavam com água na altura das rodas.

“Eu moro em um açude, a água não tem como escoar e fica assim. Não tem como sair”, disse.

Em Jardim São Paulo, na Zona Oeste do Recife, a Avenida Piracicaba estava alagada nesta quinta (4). A comerciante Áurea Bezerra relatou que não tinha como abrir a loja por conta dos alagamentos.

“As pessoas ficam sem ter como sair de casa. Quero saber quem vai pagar o meu prejuízo”, declarou Áurea.

Rua de Casa Caiada, em Olinda, tomada pela água após fortes chuvas nesta quinta-feira (4) — Foto: Reprodução/WhatsApp

Olinda

Moradora de Casa Caiada, em Olinda, a funcionária pública Patrícia Oliveira contou que não tinha como sair para o trabalho, nem levar a filha para a escola. Em um vídeo, feito do andar superior da casa, ela mostrou que um vizinho tinha água no joelho, na Rua Olímpio Ferreira Chaves.

“Minha filha faz 18 anos hoje. Não tem como pegar o bolo, acho que vou ter que desmarcar tudo. Já tinha combinado de ir a um restaurante, com medo do alagamento”, relatou.

A catadora de recicláveis Andreza Silva mora na Rua do Amor, no bairro de Ouro Preto, e disse estar sofrendo com os alagamentos frequentes.

Na quarta-feira (3), Andreza estava limpando a casa dos estragos da chuva que caiu no início da semana e, nesta quinta (4), amanheceu com a água acima do joelho no local onde mora com o marido e mais quatro filhos

No vídeo enviado pela moradora ao WhatsApp da Globo é possível ver a filha de Andreza dormindo em meio ao alagamento e os brinquedos da criança boiando. “A gente tentou tirar algumas roupas, edredom, essas coisas. Está tudo molhado. O material escolar se perdeu”, declarou a catadora.

Ela disse que mora de frente para um canal, que constantemente sofre transbordamentos. “Não tem condições de a gente sair para trabalhar porque está tudo alagado, moro de frente para um canal. A gente aqui é esquecido pela prefeitura, a situação nunca é resolvida, nunca sai do canto”, desabafou.

Na Vila Dois Irmãos, em frente ao pontilhão do metrô de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes, mora Alex dos Santos.

Ele trabalha com construção civil e teve que colocar a bicicleta em cima da cabeça para conseguir sair de casa, pois a água estava chegando na metade da sua perna. O chão na rua onde ele mora desapareceu completamente com o alagamento (veja vídeo acima)

A professora Larrineide Mariano da Cruz Silva enfrentou situação parecida na Rua Corretor José Pedro da Silva, no bairro do Janga, em Paulista.

“Estou sem poder sair de casa para trabalhar porque a água dá mais de setenta centímetros da rua para cima, não tem como. A gente fica ilhado dentro de casa”, afirmou Larrineide.

Barreira e casas interditadas

Na comunidade das Malvinas, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife, moradores da Rua Desembargador Rodolfo Aureliano estão assustados por conta de um deslizamento de barreira que aconteceu na terça-feira (2). No mesmo dia, a Defesa Civil esteve no local.

Com o deslizamento, a casa de uma idosa foi levada morro abaixo, mas ninguém ficou ferido. Os moradores do local alegam que essa mesma barreira permanece caindo aos poucos.

Segundo o laudo, além de constatar que parte da estrutura da casa da idosa se perdeu, mais outras duas residências foram parcialmente danificadas e três apresentam alto grau de risco.

Com isso, ao todo são seis famílias afetadas que receberam a orientação de deixar o local onde moram, pois as residências foram interditadas. Ainda de acordo com da Defesa Civil, três dessas famílias foram inscritas para receber um auxílio-aluguel e o auxílio municipal emergencial das chuvas.

A cuidadora Lucineide contou, nesta quinta-feira (4), que está dormindo na casa do cunhado, mas com volta todos os dias para ver se não foi furtada.

“Minha situação está terrível porque eu estou três dias sem trabalhar. Estou atrás de casa, eu não posso pagar muito porque eu sou assalariada, não posso pagar ‘oitocentos mil’ de casa. Vou comer o que? Vou viver de que?”, indagou Lucineide.

Ao tentar recuperar a máquina de lavar, que ficou presa na barreira, ela contou que por pouco não foi atingida por mais um deslizamento de barro. “Minha área de serviço foi embora. Sorte que eu não estava em casa. Se eu estivesse, hoje estaria morta”, disse ela.

Marcela mora na mesma rua com o marido e três filhos. A casa dela não foi interditada, mas ela se preocupa com a família. “A gente não consegue dormir porque a gente fica apreensiva até pelas outras casas e a minha, só esperando a zoada do lado, porque quando estrala a gente já sabe que vem alguma coisa”, contou a moradora.

Na terça-feira (2), ela conseguiu ouvir tudo enquanto a barreira deslizava e relatou ter sido uma sensação horrível. “Quando eu corri eu pensei que fosse a casa da vizinha do lado direito, mas quando eu olhei e vi o vazio, vi que foi na casa de ‘Vó”, disse ela.

‘Vó’ é a idosa que teve a maioria da casa levada pelo deslizamento da barreira. Ela morava sozinha e, segundo as vizinhas, ficou em prantos quando escapou porque é diabética e tem problemas de pressão. “Os vizinhos tentaram acalmar ela, mas o nervosismo não permitiu”, contou Marcela

O preço do aluguel também é um problema para ela, pois ela disse que não tem condições de arcar com os preços que anda encontrando no mercado.

“O problema da gente hoje é o aluguel. Se a gente arrumar um lugar para ficar com um preço bonzinho a gente vai. Não vamos fazer um passo maior do que a perna”, disse.

Por g1 PE e TV Globo