A vila Sipaúba localizada no segundo distrito do município, distante 13
quilômetros da cidade de Bodocó, Região do Araripe no alto sertão de
Pernambuco, já vivenciou uma das maiores feiras livres da região, aos sábados. Comerciantes
das cidades vizinhas vinham com suas mercadorias na certeza que era lucro
garantido. Nessa época, o cultivo da mamona e do algodão era praticado com abundância por aqui, uma economia que impulsionava o comércio local, mas
desapareceu na década de 90. Moradores da comunidade atribuem o sumiço do
algodão a uma praga, “o pulgão”.
Os agrônomos ao certo, estabeleceram
que, deveria ficar durante dez anos sem plantar o mesmo para que dessa forma fosse
exterminada a cuja praga. No entanto já se passaram décadas e o algodão nunca
mais voltou. A mamona a meu ver desapareceu por dois motivos:
1 – A mudança climática, antes as chuvas por aqui começavam em novembro e se
alongavam por dezembro, janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho, tempo
ideal para que esse vegetal produzisse bem. Infelizmente o período de chuva
mudou, agora começa chover em janeiro se prolongando até junho por esse motivo
as safras diminuíram desestimulando os agricultores que desistiram dessa
agricultura por aqui; 2 – A criação de gado, com a melhoria da economia nos
últimos anos, inclusive no governo Lula, as pessoas passaram a ter mais acesso
a créditos, financiamentos em bancos e começaram a investir na criação de gado,
na sua maioria poucas cabeças, 2 a 10. Sendo a mamona um veneno pro gado,
preferiram o gado. Isso foi só o começo da decadência da feira, sendo na época
um lugarzinho bom de dinheiro, visado por muitos comerciantes de Bodocó que
aqui viviam instalados.
Voltando um pouco no tempo, o fato
decisivo que acabou de vez com a feira, foi o boicote de algumas pessoas que perceberam
Sipaúba logo se tornaria maior que Bodocó. Na década de 40 o Povoado de Sipaúba
já tinha se tornado maior que a Vila Claranã (hoje atual Vila Bom Jardim) e
tinha uma feira semanal igual à feira da cidade Bodocó. Os comerciantes que
representavam a sede do município nos anos meados da década de 90, preocupados
com o crescimento do povoado Sipaúba, começaram a fechar as portas e evitar a
qualquer custo o desenvolvimento do comercio e de outros setores econômicos no
segundo distrito. Sempre procurando levar para a sede toda a fonte de
desenvolvimento do município, mesmo assim a feira livre de Sipaúba continuou
resistindo aos trancos e barrancos.
O povoado Sipaúba passou a ser o maior aglomerado urbano do segundo e
terceiro distritos. Por meio da Lei orgânica municipal de 1990 tornou-se Vila,
passando a ser sede de Claranã, ficando a Vila Bom Jardim dentro do seu território.
Sua área é de aproximadamente 589.5 km².
As festas do Padroeiro de Sipaúba eram bem mais frequentadas dos que as
dos Padroeiros de todo o município, realiza-se sempre do dia 19 de junho ao dia
29. Tornou-se a maior festa popular de Bodocó. Todo esse crescimento durou
desde a fundação de Sipaúba até meados da década de 90. Com a decadência do
desenvolvimento econômico, também a festa foi diminuindo aos poucos.
Na
década de 80, foi encanada água para Sipaúba pela primeira vez, na mesma época
também foi inaugurada a primeira escola de ensino fundamental e o açougue
público local, os quais foram de grande importância para a comunidade. Logo
mais na década de 90, tal água não existia mais, foi então que o gestor da
época encanou água novamente, dessa vez de um poço que não secou como a outra
que era de um açude. Apesar de essa água ser não consumível, ou seja, imprópria
para o consumo humano, veio beneficiar a população, os mesmos puderam
construir casas que aumentou o espaço urbano. Em 2009, a população local
teve um aumento significante graças à chegada da água de boa qualidade do Rio
São Francisco através da Adutora do Oeste, Sistema Adutor Luiz Gonzaga. Texto: (Elismar Rodrigues e Nilson Macedo) e fotos: Romão Filho)







