Após votações expressivas como deputado e prefeito, socialista termina primeiro turno em segundo lugar na disputa pelo Governo, com 44,82% dos votos
PorMariana de Sousa do JC
Com 100% das urnas apuradas, o candidato João Campos (PSB) foi derrotado na disputa pelo Governo de Pernambuco e terminou em segundo lugar com 44,82%, neste domingo (4). O ex-prefeito do Recife recebeu 2.344.163 votos, contra 2.784.847 votos para Raquel Lyra (PSD), que saiu vencedora com 53,25%.A disputa terminou com a primeira grande derrota eleitoral da carreira de Campos. Depois de construir uma trajetória marcada por votações expressivas, a perda interrompe a tentativa do socialista de ampliar para Pernambuco a força política construída no Recife.
Aos 32 anos, João disputou pela primeira vez o Governo do Estado após dois mandatos como prefeito da capital pernambucana e deixou a eleição sem conseguir devolver o PSB à liderança do Executivo estadual.
O resultado também representa mais um revés para o partido. Em 2022, o então candidato da legenda ao Governo de Pernambuco, Danilo Cabral, terminou a eleição em quarto lugar, com 18,06% dos votos, o equivalente a 885.994 votos. Quatro anos depois, João não alcançou a vitória no primeiro turno que a campanha buscava.
Derrota contrasta com histórico de votações
A chegada de João à disputa estadual ocorreu depois de uma sequência de resultados eleitorais expressivos. Filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto do ex-governador Miguel Arraes, ele foi eleito deputado federal em 2018, aos 24 anos, com mais de 460 mil votos, então a maior votação para o cargo em Pernambuco.
Em 2020, deixou a Câmara dos Deputados para disputar a Prefeitura do Recife. Aos 27 anos, venceu a eleição e se tornou o mais jovem prefeito da história da capital. Quatro anos depois, foi reeleito no primeiro turno com 78,11% dos votos válidos, somando 725.721 votos.
O desempenho na capital foi um dos principais ativos levados para a disputa pelo Governo de Pernambuco. Ao deixar a Prefeitura, em abril de 2026, João passou a apresentar a experiência administrativa no Recife como base para um projeto de governo para todo o Estado. A estratégia encontrou um limite na eleição estadual, no entanto.
Embora o Recife permanecesse como principal reduto eleitoral do socialista, a vantagem construída na capital não foi suficiente para compensar o desempenho em outras regiões de Pernambuco.
Recife como principal reduto
Dos 14 municípios que compõem a Região Metropolitana do Recife, o candidato venceu em apenas três: Recife, Olinda e São Lourenço da Mata. O desempenho na região ganhou peso na apuração por se tratar da principal área de influência política de João no Estado.
No Recife, onde construiu sua trajetória política e administrou a cidade por cinco anos, o socialista buscava uma votação capaz de sustentar a candidatura estadual. O resultado, porém, ficou abaixo da força demonstrada em eleições anteriores para cargos disputados na capital, resultando em 49,94% dos votos para João, contra 46,07% de Raquel.
A diferença entre o desempenho de João na eleição para governador e a votação de Humberto Costa (PT), candidato ao Senado pela mesma chapa, também chamou atenção. Eleito senador pela terceira vez, o petista recebeu 2.509.079 votos, mais de 100 mil votos acima do candidato ao Governo.
Apoio de Lula não mudou cenário
Um dos principais elementos da campanha de João foi a associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O apoio do presidente foi utilizado pelo socialista como uma das marcas da candidatura e ganhou ainda mais espaço na reta final da disputa.
Em 25 de setembro, Lula participou de um ato de campanha em Pernambuco ao lado de João e a chapa da Frente Popular, o “time de Lula” no estado. A presença do presidente ocorreu pouco mais de uma semana antes da votação, em uma tentativa de reforçar a candidatura na reta final, porém, não foi suficiente para alterar o resultado da disputa.
Da Prefeitura ao Governo de Pernambuco
A candidatura ao Governo de Pernambuco foi oficializada em agosto, com Carlos Costa (Republicanos) como candidato a vice-governador. A partir daí, João passou a ampliar a presença da campanha para além da Região Metropolitana e intensificou agendas no Agreste e no Sertão.
O objetivo era transformar a experiência acumulada na Prefeitura do Recife em uma plataforma para o Estado. O discurso de campanha passou pela promessa de ampliar políticas adotadas na capital e apresentou propostas para áreas como saúde, educação, segurança, abastecimento de água e desenvolvimento econômico.
João também tentou apresentar a disputa como uma escolha entre a continuidade da gestão de Raquel Lyra e um novo ciclo político liderado pelo PSB. A campanha buscou recuperar para o partido o protagonismo estadual perdido após a saída de Paulo Câmara do Palácio do Campo das Princesas.
Trajetória marcada por ascensão rápida
A derrota deste domingo contrasta com a velocidade da ascensão política de João Campos. Filho de Eduardo Campos, ele entrou na política institucional ainda jovem e construiu uma carreira eleitoral com resultados expressivos.
Em 2018, foi eleito deputado federal com mais de 460 mil votos. Em 2020, venceu a eleição para prefeito do Recife. Em 2024, alcançou 78,11% dos votos válidos e foi reeleito ainda no primeiro turno.
A disputa de 2026 representava, portanto, o primeiro teste de João em uma eleição majoritária fora da capital. Pela primeira vez, o desempenho eleitoral não foi suficiente para garantir a vitória ao político que vinha acumulando resultados expressivos desde a entrada na vida pública.
Na campanha estadual, João tentou levar para Pernambuco a experiência da administração do Recife e ampliar sua base política para o interior. Também reforçou a aliança com Lula e apresentou projetos para infraestrutura, saúde, segurança, educação e desenvolvimento.
O resultado do primeiro turno, porém, impôs o primeiro grande revés eleitoral da trajetória do socialista e deixou para a segunda etapa da eleição o desafio de transformar a força construída no Recife em uma votação capaz de superar Raquel Lyra em todo o Estado.
Redação com texto de Mariana de Sousa do JC Foto: Edson Holanda-divulgação

