A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o segundo turno com uma estratégia de ampliar a rejeição a Flávio Bolsonaro (PL), associando o plano de redução de gastos defendido pelo adversário ao risco de cortes em políticas sociais.
Uma das primeiras peças dessa nova fase foi divulgada nesta terça-feira (6) e recupera reduções de recursos ocorridas durante o governo de Jair Bolsonaro em áreas como Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida, Mais Médicos, combate ao câncer, cisternas, merenda escolar e prevenção de desastres.
O material utiliza a expressão “tesouraço”, adotada pela própria campanha de Flávio para definir parte de sua proposta de ajuste das contas públicas, e procura relacionar o candidato ao legado administrativo do pai.
A ofensiva faz parte de uma mudança de estratégia discutida pelos aliados de Lula após o primeiro turno. Durante a primeira etapa da campanha, o presidente concentrou parte de sua comunicação na divulgação de ações e resultados do governo. Para o segundo turno, integrantes da campanha defendem comparações mais diretas entre os projetos dos dois candidatos.
O movimento também busca atuar sobre a rejeição eleitoral. No último Datafolha divulgado antes do primeiro turno, Lula e Flávio apareciam com 45% de rejeição, percentual de entrevistados que declaravam não votar de jeito nenhum em cada candidato.
Nas urnas, Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Após a votação de domingo (4), Lula afirmou que o segundo turno representaria uma nova etapa da campanha. Na segunda-feira (5), reuniu aliados para discutir estratégias, incluindo ações para reduzir a abstenção e ampliar sua votação em regiões consideradas importantes para a disputa.
A afirmação de que o “tesouraço” atingirá programas sociais, entretanto, é uma interpretação da campanha de Lula sobre as propostas do adversário. O programa de governo apresentado por Flávio Bolsonaro prevê redução de despesas, corte de pelo menos dez ministérios, reforma administrativa e revisão de gastos, mas afirma que os programas sociais existentes serão mantidos.
O documento de Flávio também propõe revisão da gestão dos benefícios e combate a fraudes. A equipe econômica ligada ao candidato já declarou que o ajuste pretendido deverá se concentrar em despesas consideradas não prioritárias, cargos, estruturas administrativas e outros gastos públicos.
A disputa sobre os efeitos do ajuste fiscal deverá permanecer entre os principais temas econômicos e sociais do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Fonte: O Globo
Foto: Ricardo Stuckert

