Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o presidente da Corte Eleitoral, Kassio Nunes Marques, adotou uma postura mais incisiva no segundo turno das eleições. A percepção foi relatada à coluna de Bela Megale, de O Globo.
Segundo a publicação, integrantes das duas cortes consideram que Nunes Marques deixou para trás a postura de equilíbrio que buscava demonstrar anteriormente e passou a interferir de maneira mais direta em processos relacionados à disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Um dos episódios que ampliaram o incômodo ocorreu nesse domingo (11), quando Nunes Marques determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
O canal, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), já era objeto de uma ação sob relatoria do corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. No sábado (10), Cueva havia solicitado que a campanha de Flávio apresentasse informações adicionais antes de decidir sobre a suspensão.
Nunes Marques, entretanto, analisou outro pedido e determinou que o WhatsApp retirasse o canal do ar. Horas depois, Cueva restabeleceu o funcionamento do espaço e decidiu encaminhar a controvérsia ao plenário do TSE.
A atuação do presidente da Corte também passou a ser observada em outros processos. Em um julgamento no plenário virtual, cinco dos sete ministros já haviam votado pela retirada de conteúdos publicados por Flávio Bolsonaro quando Nunes Marques pediu destaque, levando a discussão para o plenário presencial e adiando a conclusão.
Outras representações apresentadas pela campanha de Lula, envolvendo publicações atribuídas a Flávio e apoiadores, também tiveram análises liminares negadas, adiadas ou encaminhadas para produção de provas.
A avaliação de que Nunes Marques teria entrado em “modo tratoraço”, no entanto, é atribuída pela coluna a ministros ouvidos reservadamente e não representa uma posição institucional do TSE ou do STF.
Nunes Marques preside o Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições de 2026.
Fonte: O Globo/Bela Megale
Foto: Luiz Roberto/TSE

