A Coligação Pernambuco de Coração, que apoia a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), ingressou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra João Campos (PSB), o candidato a vice Carlos Costa (Republicanos) e administradores de perfis nas redes sociais. A ação pede ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) a apuração de suspeitas de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
Protocolada na reta final da campanha, a representação sustenta que páginas como “Raquel Bolada” e “João Campos Platinado” fariam parte de uma atuação coordenada para produzir conteúdos contra a governadora e favorecer eleitoralmente a candidatura de João. A alegação ainda deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral.
A equipe jurídica da coligação pede que sejam incorporados ao processo documentos e registros obtidos em representações e medidas anteriores, incluindo informações relacionadas à identificação de administradores de perfis, publicações e interações digitais.
Entre os requerimentos está a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Eduardo da Silva Souza, apontado na ação como responsável pelos perfis @raquel_bolada, no Instagram, e @eduardoninoof, no TikTok, além de Marcelo Augusto Serra Diniz, ligado ao perfil @marcelodinizpe.
A ação também inclui pedidos relacionados às empresas MD Inteligência Digital Ltda. e U Porto Agência de Publicidade Ltda. A coligação solicita acesso a informações financeiras no período entre 1º de junho e 4 de outubro e o detalhamento de eventuais operações envolvendo empresas, a Prefeitura do Recife, o diretório estadual do PSB e a campanha de João Campos e Carlos Costa.
Os pedidos de quebra de sigilo ainda dependem de decisão da Justiça Eleitoral.
Prefeitura do Recife
A representação pede ainda que a Prefeitura do Recife apresente o contrato firmado com a Pernambuco Conservadora Ltda. e a relação de trabalhadores da empresa alocados na Secretaria de Articulação Política e Social.
Segundo a coligação de Raquel, Eduardo da Silva Souza, conhecido como Eduardo Nino, figuraria entre esses trabalhadores. A ação solicita informações sobre eventual vínculo, lotação, jornada e registros de frequência.
A acusação também afirma que Eduardo Nino teria atuação política vinculada ao PSB e ao secretário de Esportes do Recife e vereador licenciado Eduardo Mota (PSB), filho do ex-deputado Nilton Mota, um dos integrantes da articulação política de João Campos.
Outro requerimento pede informações sobre planos de mídia e inserções destinadas ao Blog Marcelo Diniz e à MD Inteligência Digital Ltda., incluindo notas fiscais, ordens de pagamento e comprovantes de veiculação.
A coligação solicita ainda dados relacionados aos endereços IP das redes utilizadas pela Prefeitura do Recife, inclusive acessos remotos.
Outros perfis citados
Além das páginas “Raquel Bolada” e “João Campos Platinado”, a ação cita perfis como @jefinhodeolinda, @rodrigocastelli.pe, @esquerdape, @paulistaresiste, @pernambuco40_joaocampos, @jatobaordinario, @brunocribeiro_ofc e @tocomjoaobuique.
Os advogados da coligação argumentam que existiriam indícios de conexões técnicas, financeiras e administrativas entre integrantes desse grupo. A existência dessa coordenação, no entanto, é uma das questões que a ação pede que sejam investigadas e não constitui conclusão judicial.
A representação também menciona que administradores de algumas das páginas teriam sido defendidos pelo mesmo advogado em processos anteriores e pede que esse ponto seja analisado.
Disputa judicial entre as campanhas
O episódio se soma a outras ações judiciais envolvendo a comunicação digital das duas principais candidaturas ao Governo de Pernambuco.
Em agosto, a coligação de João Campos acionou a Justiça Eleitoral acusando integrantes ligados ao governo de Raquel de participação em um suposto “gabinete do ódio”. A acusação também é objeto de disputa judicial.
Até a publicação original da reportagem, a campanha de João Campos e Carlos Costa não havia apresentado posicionamento sobre a nova ação. A Prefeitura do Recife também havia sido procurada e não havia respondido.
Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Reprodução

