O resultado das urnas em Pernambuco neste pleito consolidou um cenário de forte renovação política e trouxe surpresas de grande impacto no xadrez regional. Entre vitórias expressivas e votações acirradas, chamou a atenção a extensa lista de figuras tradicionais e lideranças de peso que não conseguiram garantir mandato — algumas, inclusive, ficando de fora mesmo após somarem expressivos volumes de votos.
A maior zebra da disputa estadual foi a não eleição de Miguel Coelho (União Brasil). Ex-prefeito de Petrolina e nome consolidado no sertão pernambucano, sua estagnação nas urnas figurou como o resultado mais inesperado do pleito.
No entanto, o revés do União Brasil não foi isolado. A bancada pernambucana na Câmara dos Deputados passará por uma reformulação profunda após a derrota de parlamentares experientes e figuras de projeção nacional e digital. Nomes de liderança histórica como Renildo Calheiros (PCdoB), Lucas Ramos (PSB) e Daniel Coelho (PSD) não alcançaram a votação necessária para a renovação ou conquista de cadeiras em Brasília.
A onda de rejeição e o afunilamento quociente partidário também atingiram expoentes de diferentes alas ideológicas e perfis midiáticos. Na direita e no segmento evangélico, ficaram pelo caminho o Coronel Meira (PL), o Pastor Eurico (PSDB) e Michelli Collins (PP). Na esquerda, a militante Kari Santos (PT) não converteu seu engajamento em mandato, enquanto nomes de apelo popular nas redes sociais, como o influenciador Charlles de Tiringa (PSB), demonstraram que a relevância digital não garante, por si só, o passaporte para o Congresso Nacional.
Encolhimento e surpresas na Alepe
A dança das cadeiras na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) seguiu o mesmo ritmo de reviravolta. Deputados estaduais de mandato longo e forte presença nas bases municipais não renovaram suas vagas, abrindo espaço para novas forças políticas no Palácio Joaquim Nabuco.
Entre os reveses mais marcantes na Alepe estão:
- Doriel Barros (PT) e Diogo Moraes (PSB), quadros centrais de suas respectivas legendas;
- Claudiano Filho (PP) e Romero Sales Filho (PSD), conhecidos pela forte capilaridade no interior;
- Pastor Cleiton Collins (PP) e Joel da Harpa (PP), que perderam espaço na representação de suas pautas corporativas e religiosas;
- Regina da Saúde (Podemos), Ni do Badoque (PSD) e Júnior Matuto (Republicanos), que também não obtiveram os coeficientes necessários para a recondução.
O saldo das urnas deixa um recado cristalino do eleitorado pernambucano: a tradição familiar, a força dos currais eleitorais e a projeção nas redes sociais já não funcionam como garantias absolutas de vitória. A partir do próximo ano, as bancadas pernambucanas no Recife e em Brasília terão novas caras — e a missão de responder à clara demanda por renovação demonstrada pela população.

