Com recursos quatro vezes menores, município do Sertão do Pajeú dá lição de gestão financeira, enquanto a Secretaria de Educação de Ouricuri deixa categoria desvalorizada mesmo com cofres cheios.
EDITORIAL / OPINIÃO — A comparação entre o orçamento e as ações da administração pública revela onde estão as verdadeiras prioridades de uma gestão. No mês em que se comemora o Dia do Professor (15 de Outubro), o contraste entre a gestão da Educação no município de Quixabá e a de Ouricuri expõe uma incômoda realidade: o problema da valorização docente em Ouricuri não é a falta de dinheiro, mas sim de planejamento, sensibilidade e respeito à classe.
A Lição de Quixabá: Gestão e Reconhecimento
Em setembro, o pequeno município de Quixabá, no Sertão do Pajeú, registrou um repasse total de R$ 1.788.209,83 oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB).
Mesmo gerindo um volume orçamentário modesto, a prefeitura local demonstrou responsabilidade fiscal e compromisso com o Magistério: concedeu um expressivo bônus de R$ 6.000,00 a cada professor, injetando ânimo na categoria e movimentando a economia local na semana do Dia do Professor.
O Abismo Orçamentário de Ouricuri
Do outro lado da moeda, Ouricuri vive uma realidade financeira substancialmente superior, mas com resultados opostos para os educadores. Somente no mês de setembro, os cofres da Secretaria Municipal de Educação foram abastecidos com impressionantes R$ 6.808.170,44 em recursos do FUNDEB — quantia que segue a média mensal do município de aproximadamente R$ 7 milhões de reais.
Se os números de Ouricuri são cerca de quatro vezes maiores que os de Quixabá, a pergunta que ecoa entre os professores da rede municipal é simples e direta: por que a valorização não acompanha a receita?
Onde Está a Valorização do Magistério?
Enquanto os profissionais de Quixabá comemoram o reconhecimento em contracheque, os professores de Ouricuri convivem com a falta de incentivos e o sentimento de abandono por parte do poder público municipal.
“Não se trata de falta de recurso, pois as planilhas do Tesouro Nacional comprovam a entrada milionária do FUNDEB mensalmente. Trata-se de uma escolha política e administrativa de ignorar quem está diariamente no chão da sala de aula.”
A Lei Federal do FUNDEB (Lei nº 14.113/2020) determina expressamente que ao menos 70% dos recursos do Fundo devem ser destinados ao pagamento dos profissionais da educação básica em efetivo exercício. Com mais de R$ 6,8 milhões aportados em um único mês, a inércia da Secretaria de Educação de Ouricuri em anunciar um abono ou melhorias reais para a categoria reflete uma flagrante falta de compromisso com a qualidade do ensino e com a dignidade dos educadores.
O Silêncio da Gestão
A discrepância nos números e nas atitudes evidencia que a valorização do professor depende de vontade política. Quixabá provou que, com responsabilidade, é possível fazer muito com menos. Ouricuri, por sua vez, acumula milhões nas contas públicas enquanto oferece o silêncio e o desapreço àqueles que constroem o futuro do município.
A sociedade e os professores de Ouricuri cobram respostas e exigem que a receita milionária da Educação seja, de fato, revertida em prol de quem ensina.

