Vítima de estupro em Petrolina diz que não consegue dormir e pede empenho à polícia: ‘Estou atordoado’
A vida de Anderson Veloso, de 19 anos, sofreu uma triste reviravolta na última semana, depois que o estudante de psicologia decidiu denunciar publicamente o estupro sofrido no sábado, em Petrolina, Pernambuco. Sequestrado por três homens encapuzados, viveu uma hora e meia de violência, que culminou com o abuso sexual sofrido com um galho. Em sete dias, enfrentou uma maratona de visitas ao hospital, Instituto Médico Legal e delegacia, viu a publicação em que relatava o trauma sofrido ser removida pelo Facebook por duas vezes e, além disso, foi “punido” pela rede social com um bloqueio de 24 horas por ter postado “conteúdo proibido”. Assim que voltou ao ar, nesta quinta, o jovem voltou a se manifestar: “Não vão me silenciar”, protestou.
Desde o estupro, o estudante tem dormido muito pouco e lutado contra o medo de sofrer novas violências. Mesmo se sentindo constrangido, continua usando sua história e mostrado o rosto para convocar toda a cidade para lutar contra a homofobia. Na tarde desta quinta, participou de uma passeata em que pediu empenho da polícia no combate ao grupo que o violentou e cobra da corporação mais empenho na identificação dos suspeitos:
— Sinto os olhares para mim. No primeiro dia na universidade, percebi muito claramente, mas meus amigos não me deixaram desistir. Me acompanharam para todo o lado e tentaram me distrair. Minha vida está uma loucura, durmo cerca de uma hora por noite. O pior são os comentários duvidando do que passei, as piadas, mas ninguém vai me calar. Estou atordoado, mas não vou desistir de falar sobre o estupro e quero encontrar quem fez isso — diz Anderson, que não se incomodou com o bloqueio — É normal as pessoas não quererem falar sobre isso. A verdade incomoda — afirma.
Extra-RJ

