Um cozinheiro, com 33 anos de idade, foi preso em cumprimento de mandado de prisão na sexta-feira 15 no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Ele é suspeito de ter estuprado uma bióloga de 33 anos no arquipélago de Fernando de Noronha no sábado 9. Detalhes da prisão foram divulgados durante coletiva de imprensa na sede da Secretaria da Mulher, na manhã desta segunda-feira 18.
Segundo o delegado João Paulo de Andrade, responsável pelo caso, a vítima procurou à delegacia no sábado para prestar queixa e de imediato foi iniciada as investigações, sendo ela encaminhada para fazer o retrato falado do suspeito. Na quarta-feira, o IP foi concluído e a prisão do cozinheiro foi representada junto ao Poder Judiciário. No dia seguinte, o suspeito foi preso em um empresarial de Boa Viagem por policiais civis do Departamento de Polícia da Mulher – DPMUL e da Diretoria Integrada Especializada – Diresp.
O subchefe de Polícia Civil, delegado Luiz Andrey, destacou a celeridade da conclusão do caso e parabenizou o delegado João Paulo de Andrade. “A Polícia tinha o prazo de 30 dias para concluir o inquérito policial e com menos de uma semana o responsável foi preso”, disse. Salientou, também, o cuidado que se deve ter nas investigações de crimes de estupro. “A Polícia Civil não tem que prender por prender. Não adianta prender alguém sem ter robustez, de modo atabalhoado porque o suspeito pode ser solto”, concluiu.
O cozinheiro estava na Ilha desde o dia 24 de dezembro onde foi trabalhar como chefe de cozinha em uma pousada. Segundo o delegado João Paulo, o suspeito queria crescer profissionalmente no arquipélago e alguns conhecidos estranharam quando ele foi embora abruptamente. “Após cometer o crime, ele começou a chegar atrasado e bêbado no trabalho forçando assim a rescisão de seu contrato e o mesmo teve que sair da Ilha na terça-feira 12, pois sem o vínculo empregatício, ele continuaria na ilha como turista e teria que pagar todas as taxas exigidas”, falou.
De acordo o delegado, a vítima contou que estava em um bar na Vila dos Remédios quando saiu para comer um cachorro quente com algumas amigas. E, ao se afastar um pouco, foi abordada pelo suspeito que a puxou pelos cabelos a obrigando a subir na moto e a levou à Praia do Bode onde praticou a violência sexual.
Em depoimento, o cozinheiro negou conhecer a vítima e negou ter praticado o crime. Ele vai responder por estupro e foi encaminhado ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima.
A secretaria da Mulher, Silvia Cordeiro, falou sobre a importância da vítima denunciar o estupro. “Esse é um crime de natureza privada e é necessário que a vítima se pronuncie. Ainda existe um preconceito contra as vítimas desse crime hediondo. As mulheres precisam saber que terão o amparo do Estado para que se investigue e o responsável seja preso, principalmente as mulheres menos informadas ou de baixa classe social que não denunciam porque simplesmente não acreditam no Estado. Denunciar é o primeiro passo, perder o medo e procurar ajuda”, disse.
A secretaria, ainda, falou da necessidade de descriminalizar as vítimas de estupro. “Quando ocorre um estupro, as pessoas tendem a fazer perguntas sobre onde estava a vítima ou o quê ela estava vestindo. Isso não importa. A mulher está vulnerável a esse tipo de crime por conta do seu gênero. As mulheres têm o direito de ir e vir e de está aonde desejarem sem serem vítimas de violência de qualquer natureza. Precisamos para de criminalizar a mulher”, concluiu.
Polícia Civil de Pernambuco

