A fosfoetanolamina, popularmente conhecida como pílula do câncer, entra em discussão na Defensoria Pública de Pernambuco na tarde desta terça-feira (23). O órgão vai criar uma coordenadoria de apoio às pessoas com a doença, com o objetivo de ajudá-las na liberação da pílula fabricada pelo laboratório da Universidade de São Paulo (USP).
A distribuição foi suspensa pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) porque as pesquisas com o novo medicamento não foram concluídas. Mas, no Recife, familiares de pacientes que conseguiram tomar a pílula depois de acionar a justiça relatam melhora no quadro clínico.
O taxista Eládio Amorim ficou viúvo há dois meses depois que a mulher dele, Alda Amorim, que tinha câncer de mama, deixou de tomar a pílula. O casal conseguiu na justiça 60 capsulas, mas após um mês, o remédio acabou e o quadro voltou a se agravar.
A pílula do câncer é uma substância desenvolvida na década de 90. Alguns pacientes com câncer afirmam que o quadro melhorou depois de ingerir o medicamento, mas a substância ainda precisa passar por testes e por isso não foi liberada pela Anvisa. Os médicos não recomendam. “Não existe indicação na medicina, reconhecida pela comunidade científica, para o uso terapêutico da fosfoetanolamina. Nós (médicos) não conhecemos os efeitos colaterais, os danos e os benefícios para o corpo humano”, pontuou o oncologista Rogério Brandão.
Só por meio judicial os pacientes conseguem receber a substância. O aposentado Pedro Miranda, que também tem câncer, já entrou na justiça para ter o direito de usar a fosfoetanolamina. Em 2 anos, já passou por 11 cirurgias para retirada de tumores, mas eles sempre voltam. Agora, Pedro decidiu que quer tentar uma nova alternativa. “Mesmo que exista uma chance em um milhão, eu quero tentar”, contou.

