Close Menu
Ouricuri em FocoOuricuri em Foco
  • Saúde
  • Brasil
  • Tecnologia
  • Economia
  • Esporte
  • Contato
Matérias populares
Facebook X (Twitter) Instagram YouTube
Ouricuri em FocoOuricuri em Foco
  • Saúde
  • Brasil
  • Tecnologia
  • Economia
  • Esporte
  • Contato
Facebook Instagram X (Twitter) YouTube
Ouricuri em FocoOuricuri em Foco
Início » Em covas rasas, mortos do Compaj ocupam quadra nos fundos do Cemitério de Tarumã
Brasil

Em covas rasas, mortos do Compaj ocupam quadra nos fundos do Cemitério de Tarumã

Elismar RodriguesPor Elismar Rodrigues16/01/2017Nenhum comentário Leitura 4 min.
WhatsApp Facebook Twitter Email
Quadra 34 do Cemitério Parque Tarumã, onde estão enterrados os detentos mortos na rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim Marcelo Camargo/Agência Brasil
WhatsApp Facebook Twitter LinkedIn Pinterest Email

Quinze dias após a chacina que matou 56 presos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), parte dos corpos dos detentos mortos durante a rebelião estão enterrados em uma quadra nos fundos do Cemitério de Tarumã, em Manaus, em covas rasa e túmulos simples.

É na quadra 34, fila 27, que está Gezildo Nunes da Silva. A sepultura número 1334 guarda o corpo do rapaz que, dias antes da chacina, denunciou um esquema de corrupção dentro da unidade, em que o diretor recebia propina de detentos para liberar a entrada de diversos objetos no Compaj, incluindo armas e celulares. Preso por furto, Gezildo foi assassinado aos 35 anos. Ele denunciou o esquema junto com outro detento, Alciney Gomes da Silveira, que também morreu na chacina.

A denúncia motivou a saída do diretor interino do Compaj, dias após a rebelião. Na denúncia de Gezildo e Alciney, ambos se diziam ameaçados de morte. A carta foi anexada ao processo de Gezildo no dia 14 de dezembro, para conhecimento do juiz Luis Carlos Valois, titular da Vara de Execuções Penais.

“Eu soube depois do fato [chacina]. A carta estava com vista para o Ministério Público. Mas é muito comum o preso dizer que está com risco de vida e a gente, na burocracia do dia a dia, não toma muito conhecimento disso. Porque todo preso diz isso. E é verdade. Qual preso que está seguro no sistema penitenciário brasileiro?”, questiona o juiz.

Gezildo está enterrado em uma cova rasa, em um túmulo improvisado, cercado por tábuas azuis e uma cruz espetada com seu nome, data de nascimento e data de morte, dia 1º de janeiro de 2017, escritos com tinta preta. Esta última data, inclusive, é repetida à exaustão nos túmulos vizinhos. São os outros mortos na chacina do Compaj.

“Toda hora eles estão com medo de morrer. E se a gente vai acatar a transferência deles toda vez que disserem que estão ameaçados, eles é que vão escolher onde vão ficar presos”, diz o juiz.

Presos por vários tipos de crimes, desde os menos ofensivos aos mais atrozes, as dezenas de corpos estão enterradas em uma espécie de extensão improvisada do cemitério, nos fundos, perto da mata fechada que cerca a região. A terra ainda está revirada na quadra 34, pelo intenso número de enterros recentes. Nessa quadra não há grama ao redor ou fotos dos sepultados. São túmulos simples. Alguns mais adornados que outros por flores e pequenas faixas, como “amor eterno”, deixadas pelas famílias. O forte cheiro de flores, presente no restante do cemitério, é pouco notado na área, ocupada em sua maioria pelas vítimas da chacina.

Manaus - Quadra 34 do Cemitério Parque Tarumã, onde estão enterrados os detentos mortos na rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Quadra 34 do Cemitério Parque Tarumã, onde estão enterrados os detentos mortos na rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na frente da cruz com o nome de Gezildo, um punhado de flores, a maior parte já mortas, indicam que o rapaz teve quem velasse por ele. Isso é mais do que teve Alciney, 25 anos. Na fila 32 da mesma quadra, está a sepultura do homem condenado a 60 anos de prisão por matar a própria mãe, um irmão e tentar assassinar o pai. Uma cruz de madeira com o nome e as tábuas cercando o monte de terra tiveram o custo de R$ 120.

Curioso pela movimentação na frente do túmulo do rapaz, o coveiro pergunta ao fotógrafo o motivo do interesse. Ao ser informado dos crimes que Alciney havia cometido, o coveiro disparou. “Eu lembro desse caso. Esse aí já foi tarde”.

“Pior experiência”

“Eu já tinha participado de uma rebelião nesse mesmo local [Compaj]. Eu fiquei por cerca de sete horas no meio de 13 corpos, circulando entre eles até acabar a rebelião. Até então, essa tinha sido a pior experiência da minha vida, mas os corpos estavam inteiros. Esse esquartejamento, nessa última rebelião, foi um negócio bem forte para mim”, conta o juiz Valois.

O juiz era responsável pelos casos da maioria dos presos do Compaj. Conhecia e conversava com vários deles. “Você ver uma pessoa que você conhece, com quem você já falou, sem cabeça? Ver a cabeça de uma pessoa que você conhece? Isso é muito forte”.

Marcelo Brandão – Enviado especial da Agência Brasil
cemitério Compaj covas fundos mortos ocupam quadra rasas Tarumã
Share. WhatsApp Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Email
Elismar Rodrigues
  • Website

Elismar Rodrigues é radialista e jornalista com atuação focada em informação local e cobertura de interesse público. Com experiência em comunicação e produção de conteúdo, contribui para o fortalecimento do jornalismo regional como editor chefe do portal Ouricuri em Foco. DRT 0004434/PE – Radialista | DRT-PE 0006914 – Jornalista

Posts relacionados

Mega-Sena acumula, e próximo prêmio será de R$ 300 milhões

25/10/2026

Toffoli defende novas regras para evitar ataques pessoais em debates e propagandas eleitorais

25/10/2026

Mais Médicos Especialistas oferece 224 vagas imediatas em nova chamada

24/10/2026
Deixe uma resposta Cancelar resposta

Publicidade
Anuncie Aqui!
Matérias populares

Confira os repasses e origem do FUNDEB para Ouricuri nos meses janeiro, fevereiro, março e abril de 2026 através do BB

21/04/202639 Visitas

Sertão do Araripe fora da Agenda de Lula

21/08/201733 Visitas

COFRES CHEIOS E SALAS EM CHAMAS: OURICURI RECEBE MILHÕES DO FUNDEB, MAS IGNORA REFORMAS CONTRA O CALOR

11/10/202620 Visitas
Categorias
Ouricuri em Foco
Facebook X (Twitter) Instagram YouTube WhatsApp
  • Brasil
  • Ouricuri
  • Pernambuco
  • Política
© 2014/2026 Ouricuri em Foco | Projetado por INDEXBrasil.

Digite acima e pressione Enter Para pesquisar. Pressione Esc cancelar.

Bloqueador de anúncios ativado!
Bloqueador de anúncios ativado!
Nosso site só existe graças à exibição de anúncios online para nossos visitantes. Por favor, nos apoie desativando seu bloqueador de anúncios.