
Por Isabela Vieira, da Agência Brasil
A
igualdade entre homens e mulheres tem avançado lentamente, conclui
relatório das Nações Unidas (ONU) que avaliou a equidade de gênero em
167 países. O documento será apresentado nesta segunda-feira (9) pelo
secretário-geral Ban Ki-moon, em referência ao Dia Internacional da
Mulher comemorado no último domingo (8).
O relatório destaca
que, no ritmo atual, serão necessários 81 anos para se alcançar a
paridade de gênero na economia e 50 anos para a igualdade na
representação parlamentar.
O levantamento é um balanço da
aplicação das normas adotadas pelos países na Quarta Conferência Mundial
sobre a Mulher, em Pequim, na China, há 20 anos. Lá, foi pactuada uma
plataforma de ação para ser cumprida pelos governos, iniciativa privada e
sociedade.
“Há uma lacuna decepcionante entre as normas e a
implementação da Plataforma de Ação de Pequim, e um fracasso coletivo de
liderança nos progressos para as mulheres”, disse a diretora executiva
da agência da ONU para Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, na sexta-feira
(6). “Os líderes com poder para fazer essas ações falharam com mulheres e
meninas”, avaliou.
Em 1995, 189 países assinaram a Plataforma
de Ação de Pequim. De la para cá, a ONU mostra que houve poucos
progressos para acabar com leis discriminatórias, aprovar leis contra a
violência dirigida a mulheres e meninas. No entanto, a ONU reconhece que
caiu a mortalidade materna, aumentou o número de jovens em escolas
primárias e a participação de mulheres mercado de trabalho.
“Os
ganhos contrastam com o fato de, apesar da melhoria de educação, as
mulheres têm alguns dos piores empregos, enquanto o fosso salarial entre
os gêneros é um fenômeno mundial”, diz a agência, em comunicado
divulgado pela ONU Mulheres. A estimativa é que elas ganham salários 77%
menores do que o dos homens.
“Deixe-me sugerir três requisitos
essenciais [para equidade de gênero]: vontade e liderança política
inabaláveis; aumento dos investimentos na agenda para as mulheres e
meninas e uma forte responsabilização que inclui a sociedade”, diz a
diretora Phumzile Mlambo-Ngcuka.

