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Início » Patrus defende reforma agrária e diz que não basta ‘derrubar cercas’
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Patrus defende reforma agrária e diz que não basta ‘derrubar cercas’

Elismar RodriguesPor Elismar Rodrigues07/01/2015Atualizada:21/12/2015Nenhum comentário Leitura 4 min.
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Ao assumir o comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o petista Patrus Ananias defendeu nesta terça-feria (6) a intensificação da reforma agrária no país. O novo ministro afirmou, durante a cerimônia de transmissão de cargo, que “não basta derrubar as cercas do latifúndio”, referindo-se à necessidade de disponibilizar infraestrutura para os assentados.
Patrus passará a chefiar a pasta no lugar de Miguel Rossetto, que foi deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência. Ex-prefeito de Belo Horizonte, o novo ministro do Desenvolvimento Agrário pregou o diálogo com os movimentos sociais e a “parceria” com entidades que representem os jovens, mulheres e trabalhadores do meio rural.
“Não basta derrubar as cercas do latifúndio, é preciso derrubar também as cercas que nos limitam a uma visão individualista e excludente do processo social”, disse.
“Sabemos que é um tema [reforma agrária] que ainda desperta polêmicas e encontra resistências. Por isso, sua tradução na realidade brasileira e na solução de conflitos sociais não depende depende apenas da vontade da presidenta da República, passa pelo Congresso Nacional, Judiciário e, sobretudo, pela sociedade”, completou.
O novo ministro disse também durante a cerimônia nesta terça em Brasília que o direito à propriedade não é “inquestionável”.
“À questão social acresce a questão ambiental para nos lembrar que o direito de propriedade não pode ser incontrastável, inquestionável, que prevalece sobre os demais direitos”, afirmou.

No primeiro discurso como ministro, Patrus disse que a pasta precisa tornar “realidade” no Brasil o uso social da terra e resolver o “desafio” da “necessária reforma agrária”. Ele afirmou ainda que o tema da função social da terra deve ser “conhecido, regulamentado e aplicado”.
Responsável por implementar o programa Bolsa Família no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Patrus defendeu o “diálogo permanente” com os movimentos sociais e disse que o trabalho à frente do ministério será “desafiador”. O ministro afirmou ter compromissos com os mais pobres e a “justiça social”.
A uma plateia formada por ministros, parlamentares, representantes de movimentos sociais e convidados, Patrus defendeu programas voltados para a segurança alimentar e citou o Bolsa Família. Ele afirmou estar “comprometido” com as “lutas” pela reforma agrária e “efetiva” aplicação do princípio constitucional da função social da propriedade.
“Nossos governos mostraram que é necessario o justo estímulo à agricultura empresarial, assim como o não menos justo direito inadiável do reconhecimento dos direitos dos agricultores familiares e das famílias trabalhadoras sem-terra”, disse.
‘Latifundios’
Em entrevista após a solenidade, Patrus comentou declaração feita pela nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, ao jornal “Folha de S.Paulo” de que não existem mais latifúndios no Brasil. A indicação da senadora foi criticada por ambientalistas e por entidades representantes de assentados rurais e agricultores familiares.
Questionado sobre se os latifúndios não existem mais “de fato”, Patrus respondeu: “Esta é uma questão técnica, verificada inclusive a questão dos módulos rurais. Eu prefiro trabalhar com o conceito de que nós temos no Brasil grande propriedades”. O ministro, porém, destacou que há terras improdutivas nas quais famílias de trabalhadores rurais podem ser assentadas.
O ministro afirmou ainda que o agronegócio representa “espaço fundamental” na economia e defendeu “parceria” com o setor.
Miguel Rossetto
De saída do Desenvolvimento Agrário para assumir a Secretaria-Geral, Miguel Rossetto destacou os avanços sociais nos últimos 12 anos. Segundo ele, 786 mil famílias tiveram acesso à terra via reforma agrária ou crédito fundiário.
Além disso, o crédito oferecido a agricultores familiares inscritos no Programa Nacional de Forlatecimento da Agricultura (Pronaf) subiu de R$ 2,3 bilhões em 2003 para R$ 22,3 bilhões, em 2014.
“Hoje, a carteira Pronaf tem um volume de recursos aplicados de R$ 56 bilhões em 3,6 milhões de contratos. Portanto, é um volume importantíssimo que traduz a aposta estratégica desse governo”, afirmou o ministro.
Rossetto afirmou ser “inaceitável” que ainda existam assassinatos no campo por conflitos fundiários e disse que o meio rural deve deixar de ser “o espaço da violência, do descaso e do atraso”. “O Brasil carrega uma experiência democrática extraordinária. Tenho certeza de que o país há de reconhecer a importância das lideranças rurais brasileiras”, completou. (G1)
Terça, 06 de Janeiro de 2015 – Postado por Elismar Rodrigues
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Elismar Rodrigues
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Elismar Rodrigues é radialista e jornalista com atuação focada em informação local e cobertura de interesse público. Com experiência em comunicação e produção de conteúdo, contribui para o fortalecimento do jornalismo regional como editor chefe do portal Ouricuri em Foco. DRT 0004434/PE – Radialista | DRT-PE 0006914 – Jornalista

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