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Início » O Iatê, língua da tribo Fulniô, de Águas Belas, poderá se tornar Referência Cultural Brasileira
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O Iatê, língua da tribo Fulniô, de Águas Belas, poderá se tornar Referência Cultural Brasileira

Elismar RodriguesPor Elismar Rodrigues25/11/2014Atualizada:21/12/2015Nenhum comentário Leitura 3 min.
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Língua dos Fulniô como referência cultural
Língua falada por cerca de três mil pessoas em Pernambuco, o Iatê, da tribo Fulniô, de Águas Belas, no Agreste pernambucano, poderá se tornar Referência Cultural Brasileira, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O pedido foi realizado pela Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP), requerendo que o idioma fosse inserido no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). De acordo com o professor o departamento de antropologia e museologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Renato Athias, o Brasil conta com 70 idiomas indígenas, todos com algum risco de extinção. Pernambuco é habitado por 12 povos, sendo o quarto estado da federação com maior população indígena.
“Não se pode imaginar o que é a extinção de uma língua porque acaba com uma série de conhecimentos que e extinguem junto com ela. reservando a língua, também se protege a cultura e dos mais importantes conhecimentos tradicionais, que só são possíveis de conhecer através da linguagem”, afirmou o professor. Atualmente, um dicionário Iatê-Português/Português-Iatê está disponível para a população. Ele foi escrito pelo índio que pertence à tribo, Caetano de Sá. O dicionário foi à alavanca propulsora do pedido realizado pela AIP. “O nosso objetivo foi garantir a preservação desse idioma. Não podemos negar a história esses índios, já que quando os colonizadores chegavam, eles já existiam aqui. Não podemos perder esse patrimônio linguístico e cultural”, disse o presidente da IP, Múcio Aguiar.

Apesar do dicionário o acesso à linguagem Iatê, em como à religião Fulniô, é difícil. Até mesmo o próprio autor do glossário foi alvo de algumas objeções ela população indígena a que pertence. “No princípio, quando fui fazer o dicionário, vi oposição por arte da tribo porque eles achavam que poderia comprometer a religião”, contou Caetano. A religião da tribo é muito peculiar e exclusiva, de acordo com ele, por isso, os índios acreditavam que a divulgação da sua língua poderia torná-la mais acessível para quem não pertence aos Fulniôs. “Eles não gostam que a população entenda a religião porque consideram que, como ela, não existe no mundo. Por isso, se acham privilegiados”, revelou.
Assim como a religião, o Iatê também é muito exclusivo. Não existe nenhum tipo de parentesco com a língua portuguesa. Além disso, também há uma polêmica sobre a qual família linguística dos idiomas indígenas pertence, como o Gê e o Tupi, de acordo com o professor Renato Athias. “Ela (a língua) se torna quase isolada do conjunto das línguas indígenas do Brasil”, afirmou o especialista. Condição que só ratifica a sua relevância e assevera a importância da sua preservação.
Múcio Aguiar revelou que o pedido foi realizado recentemente. Com isso, o Iphan ainda irá avaliar se a solicitação é cabível ou não. Além disso, a própria comunidade indígena terá que concordar como pedido para que seja finalizado. Dentro dos trâmites, Múcio explicou que um processo interno deverá ser aberto para obter maiores informações com a comunidade. Além da preservação histórica e cultura da língua, os índios da tribo poderão obter incentivos para garantir essa preservação. “Eles (índios) têm escolas bilíngues, mas será que existe material didático para tal? Esse é o tipo de benefício que será resultado desse pedido”, explicou Aguiar. PENOTÍCIAS
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Elismar Rodrigues
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Elismar Rodrigues é radialista e jornalista com atuação focada em informação local e cobertura de interesse público. Com experiência em comunicação e produção de conteúdo, contribui para o fortalecimento do jornalismo regional como editor chefe do portal Ouricuri em Foco. DRT 0004434/PE – Radialista | DRT-PE 0006914 – Jornalista

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