O crescimento do PL nas eleições de 2026 deverá ampliar significativamente a fatia de recursos públicos destinada ao partido. Com 121 deputados federais eleitos, 28 senadores na próxima legislatura e a maior votação nacional para a Câmara, a legenda tende a receber valores recordes tanto do Fundo Partidário quanto do Fundo Eleitoral.
O avanço do partido de Jair e Flávio Bolsonaro nas urnas terá reflexos diretos sobre seu caixa. Segundo a coluna de Malu Gaspar, de O Globo, a bancada de 121 deputados federais será a maior registrada na Câmara desde a Constituinte de 1988.
O PL também ampliará sua presença no Senado. A legenda passará dos atuais 15 integrantes considerados na composição para 28 senadores a partir de 2027.
Além do número de parlamentares eleitos, o partido recebeu 25,8 milhões de votos para deputado federal em todo o país. Em 2022, haviam sido 18,2 milhões. O crescimento foi de aproximadamente 41,9%.
Esses números são importantes porque a votação para a Câmara e o tamanho das bancadas estão entre os critérios utilizados para distribuir recursos públicos aos partidos.
No Fundo Partidário, destinado ao funcionamento permanente das legendas, 95% dos recursos são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos na última eleição para deputado federal. Os outros 5% são divididos igualmente entre os partidos que cumprem os requisitos legais para receber a verba.
Em 2025, antes do crescimento registrado nas urnas deste ano, o PL já liderava os repasses. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que a legenda recebeu R$ 192,1 milhões em dotações do Fundo Partidário, além de R$ 16,4 milhões provenientes de multas eleitorais.
Com a votação alcançada em 2026, a participação do partido no fundo deverá aumentar a partir da nova composição, embora o valor final dependa do montante destinado ao Fundo Partidário em cada Orçamento da União.
Fundo Eleitoral pode passar de R$ 1 bilhão
O impacto também deverá aparecer no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), utilizado exclusivamente para financiar campanhas eleitorais.
Em 2026, o PL já recebeu a maior fatia do fundo entre todos os partidos: R$ 881,7 milhões de um total de aproximadamente R$ 4,96 bilhões.
Pelas regras atuais, 48% do Fundo Eleitoral são distribuídos conforme o número de deputados federais de cada legenda; 35% levam em consideração os votos obtidos para a Câmara; 15% são definidos pela representação no Senado; e os 2% restantes são divididos igualmente entre os partidos.
O crescimento do PL ocorre justamente nos três critérios que concentram a maior parte da distribuição.
Na Câmara, a bancada considerada na divisão do fundo deste ano tinha 98 deputados. Nas urnas de outubro, o partido elegeu 121.
No Senado, a representação aumentará de 15 para 28 integrantes. Somente a expansão das bancadas nas duas Casas, tomando como referência os valores distribuídos em 2026, representaria cerca de R$ 226 milhões adicionais nas parcelas vinculadas à representação parlamentar.
Além disso, entram no cálculo os 25,8 milhões de votos obtidos pelo partido para a Câmara.
Mantidas as atuais regras de distribuição e utilizado como referência um Fundo Eleitoral de tamanho semelhante ao deste ano, projeções indicam que a parcela destinada ao PL na eleição de 2030 poderá ultrapassar R$ 1,1 bilhão.
O valor, entretanto, não está definido. O tamanho do Fundo Eleitoral de 2030 ainda dependerá do Orçamento aprovado pelo Congresso, enquanto a divisão final também será influenciada pelas regras que estiverem vigentes naquele momento.
O desempenho eleitoral deste ano já coloca o PL em posição de ampliar sua participação nas duas principais fontes públicas de financiamento partidário e eleitoral do país.
Fonte: O Globo/Malu Gaspar
Foto: Reprodução

