Casos de agressões físicas, ameaças e perseguições por divergências políticas foram relatados em instituições de ensino de diferentes regiões do Brasil após as eleições presidenciais de 2026. Os episódios envolvem estudantes com posicionamentos distintos e incluem situações de discriminação social.
Em Itajaí, Santa Catarina, um vídeo divulgado nas redes sociais mostra dois estudantes utilizando a bandeira do Brasil como capa enquanto agridem colegas que vestiam roupas vermelhas dentro de uma escola. Segundo a autora da gravação, os adolescentes, que teriam 15 anos, também fizeram ofensas verbais e comentários depreciativos sobre o programa Bolsa Família.
No Distrito Federal, um estudante de 16 anos relatou ter sido perseguido no ambiente escolar depois de declarar que pretendia votar em Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o adolescente, as hostilidades foram tão intensas que ele precisou mudar de escola.
Outro episódio ocorreu em Araguari, Minas Gerais, envolvendo estudantes de medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac). De acordo com os relatos, alunos bolsistas que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram alvo de ofensas de colegas.
As agressões verbais também atingiram estudantes que comercializam trufas e outros produtos para ajudar no pagamento de suas despesas. Em nota, a instituição repudiou manifestações de intolerância e discriminação motivadas por posicionamentos políticos ou condições socioeconômicas.
A violência relacionada às eleições também atingiu crianças fora do ambiente escolar. Em Fortaleza, no Ceará, um menino de 9 anos, autista, foi constrangido por uma influenciadora digital enquanto vendia balas para ajudar a avó.
Na gravação, Valéria Diniz perguntou ao garoto em quem sua família havia votado. Ao ouvir que a escolha tinha sido Lula, pediu que ele fizesse o gesto de apoio ao presidente. Depois, a influenciadora e suas amigas começaram a rir e se recusaram a comprar os produtos oferecidos pela criança.
O vídeo foi publicado nas redes sociais com uma mensagem ironizando a escolha eleitoral da família. Valéria havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha.
O menino, identificado como Matheus, é criado pela avó desde a morte da mãe. Após a repercussão do episódio, motociclistas e usuários das redes sociais organizaram uma mobilização para ajudar a família.
Os casos foram reunidos em reportagem da Agência Brasil, publicada nesse sábado (31), e mostram como as divergências políticas ultrapassaram o debate eleitoral e passaram a afetar a convivência entre estudantes e crianças.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

