Enquanto a população da zona rural e urbana padece com torneiras secas, a omissão da Compesa e o silêncio das gestões municipal e estadual empurram moradores para protestos nas ruas.
A crise hídrica que assola o município de Ouricuri ultrapassou qualquer limite aceitável de tolerância. Nesta quinta-feira (5), a falta de água voltou ao centro dos debates durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), em um retrato límpido da indignação que toma conta tanto do campo quanto da cidade. Representantes de associações, sindicatos e entidades civis lavraram a voz contra um cenário de omissão sistemática que paralisa o cotidiano das famílias sertanejas.
O tom do encontro foi claro: a paciência acabou. Diante da inércia dos órgãos responsáveis, os participantes aprovaram a construção de uma grande mobilização popular, unindo trabalhadores rurais e moradores da área urbana em um protesto em frente à sede da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).
A presidente do Conselho, Maria de Augustinha, ratificou que a indignação coletiva se transformará em ação estratégica. “Vamos realizar uma nova reunião para organizar essa mobilização”, afirmou, confirmando que as estratégias para cobrar providências urgentes estão sendo traçadas.
A engrenagem da omissão: Onde estão os governantes?
O colapso no fornecimento de água em Ouricuri não é fruto do acaso ou mero imponderável climático; é o resultado direto do abandono administrativo e do descaso de diferentes esferas de poder:
- Governo Estadual e Compesa: Retrato da ineficiência operacional, a Compesa cobra tarifas sem entregar o serviço essencial. A falta de investimentos estruturantes na rede de distribuição, aliada à ausência de respostas transparentes do Governo do Estado, condena a população a viver refém de cronogramas de racionamento ineficazes e promessas não cumpridas.
- Gestão Municipal: A prefeitura de Ouricuri falha gravemente ao se postar como mera espectadora do sofrimento local. Falta liderança política para cobrar o Estado de forma incisiva e faltam políticas públicas municipais robustas de convivência com o semiárido, como a ampliação da frota de carros-pipa cadastrados e a manutenção de poços artesianos nas comunidades rurais.
- Órgãos de Fiscalização e Controle: Onde estão os órgãos de defesa dos direitos do consumidor e do cidadão que ainda não impuseram sanções rígidas contra a interrupção recorrente de um serviço básico indispensável à dignidade humana?
Da indignação à resistência
A promessa de tomar as portas da Compesa reflete o desespero de mães de família, agricultores e comerciantes que assistem à rotina ser paralisada pela ausência do líquido sagrado. No Sertão do Araripe, ter água na torneira não é privilégio; é um direito fundamental violado dia após dia pela incompetência de gestores que parecem ignorar a urgência da vida real.
A sociedade civil organizada de Ouricuri manda um recado claro às autoridades: as reuniões de gabinete e as justificativas evasivas não bastam mais. O povo vai às ruas exigir o mínimo para sua sobrevivência.

