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Empresário se suicida após demitir 223 funcionários por conta da crise

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No Brasil, aprende-se que empresários não tem sentimentos e gostam de pagar baixos salários ou demitir funcionários. Mas a verdade é exatamente o oposto, nenhum empresário tem como objetivo pagar baixos salários ou demitir seus funcionários. Empresários pensam na saúde da empresa, querem fazê-la crescer e gerar lucro. E quando a empresa cresce, mais funcionários são contratados (cria-se mais vagas), os bons funcionários sobem de carreira e as rendas dos trabalhadores melhoram.

Entretanto, em momento de crise, quando a receita cai e a empresa não tem onde tirar dinheiro para pagar seus funcionários,  o empresário não tem outra opção a não ser ter que demitir alguns funcionários para evitar a quebra da empresa, o que resultaria em um desemprego ainda maior. Foi exatamente isso que aconteceu com uma fábrica de sofá na cidade de Rio Claro-SP.  Após ter queda de 80% nas vendas, devido à recessão econômica causada pelo governo federal, o dono da fábrica tentou negociar com sindicatos para reduzir jornada de trabalho e salários dos funcionários para não ter que demitir ninguém. Mas o sindicato negou.

Após perder a negociação com os sindicatos, o empresário não teve outra alternativa e foi obrigado a demitir 223 funcionários. Além de ver sua empresa a caminho da falência, ainda teve que aguentar o sentimento de culpa por prejudicar mais de 200 famílias com essas demissões. O dono da fábrica não suportou tamanha pressão e suicidou-se com uma corda no pescoço dentro da própria empresa.

Quando os empresários criam vagas e geram condições melhores para muitas famílias, os políticos se apropriam do momento para dizer que foram eles que melhoraram a situação do país. Agora, quando os mesmos políticos saqueiam os cofres públicos e faz o país atravessar uma enorme crise econômica, são os empresários que aguentam as pontas. Está na hora dos brasileiros enxergarem o outro lado da história.

O dono da empresa de sofás de Rio Claro (SP) que na semana passada demitiu 223 funcionários por conta da crise e queda nas vendas foi encontrado morto na fábrica nesta terça-feira (21). Um funcionário que chegou para trabalhar por volta das 7h encontrou o empresário Luís Antônio Scussolino (dir.), de 66 anos, sem vida. A Polícia Civil registrou o caso como suicídio. A Polícia Militar foi acionada e, quando chegou ao local, encontrou o corpo da vítima com uma corda no pescoço. A perícia técnica constatou que a causa da morte foi quebra do pescoço. O corpo do empresário será sepultado às 10h30 desta quarta-feira (22) no Cemitério Parque das Palmeiras, em Rio Claro. Depois de mais de 20 anos, a cidade voltou a registrar uma demissão em massa. Na última segunda-feira (13), a Luizzi Estofados demitiu 223 trabalhadores. A empresa informou que, apesar de enfrentar dificuldades por causa da queda nas vendas, manteve o emprego de 870 funcionários. A empresa afirmou ainda que apresentou uma proposta ao sindicato para evitar as demissões: redução da jornada de trabalho e de 20% nos salários, mas ela foi rejeitada pela maioria dos empregados. Disse também que está calculando o valor das rescisões e se esforçando para pagar. Medo e transtornos Foram 8 anos trabalhando como tapeceiro. O dinheiro que ganhava ajudava a manter a família e agora sem emprego Osmar Barbosa não sabe o que fazer. “Fiquei meio apavorado, não esperava”, disse. Nesta segunda-feira (20), os demitidos fizeram o exame médico. “Minha mulher depende do meu salário, tenho muitas contas para pagar, empréstimo que fiz no banco. Agora só Deus sabe o que vou fazer”, disse o operador de produção Abdias Eustáquio da Silva. O medo é que a empresa não pague tudo o que eles têm direito, por isso o Ministério do Trabalho está acompanhando o caso. O prazo pra acertar as contas com os funcionários é de dez dias. “Se a empresa não fizer o pagamento, existe a multa prevista no artigo 477 da CLT que é o valor de um salário nominal para cada empregado”, explicou Fabio Cigagna, chefe da regional do Ministério do Trabalho de Rio Claro. Uma demissão em massa não acontecia na cidade há mais de 20 anos. A última foi em 1995. Na época, uma fábrica de carros Gurgel fechou e 1 mil trabalhadores foram mandados embora. Agora a situação é ainda mais complicada diante da crise econômica do país. O secretario de Economia e Finanças, Japir Pimentel Porto, disse que esse tipo de situação afeta toda a economia da cidade. “A pessoa que não tem o rendimento deixa de consumir na cidade aquilo que ela consumia normalmente. Com isso, a prefeitura deixa de arrecadar porque todo consumo gera uma arrecadação em termos de taxas e impostos”, disse. (G1.SP)

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