A apresentação do relatório final do inquértio que investigou o assassinato foi realizada na manhã desta quarta-feira (16), na sede do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoal (DHPP), no Cordeiro, Zona Oeste do Recife. O documento tem 50 páginas, quando, geralmente, apresenta apenas dez.
A polícia afirmou que os suspeitos são Adriano Manuel da Silva, 33 anos, Ademir Manuel da Silva, 28, e Ciro Anderson Gonçalves, 34. Eles teriam executado o vereador a mando de Ivson Pereira Ferreira, de 30 anos.
O delegado Júlio Porto, da regional de Santa Cruz do Capibaribe, também no Agreste, disse que a briga entre os grupos rivais teria começado com uma tentativa de homicídio contra Adriano no dia 24 de abril deste ano. Um dos suspeitos seria o motorista do atual prefeito de Santa Maria do Cambucá, Alex Robervan de Lima (PSB). Ele foi morto no dia 28 de abril.
“Por já ter uma rivalidade e ser de oposição, Ivson levou Adriano a acreditar que foi o presidente da Câmara e não o prefeito que teria mandado matá-lo. Foi uma desculpa para assassinar uma pessoa com quem ele já tinha conflito”, pontuou o delegado.
Ivson era conselheiro tutelar e pré-candidato a vereador da cidade. “Ainda havia uma possibilidade de o partido indicá-lo para ser prefeito”, completa Julio Porto.
Adriano foi preso no dia 19 de maio e segue detido na penitenciária de Santa Cruz do Capibaribe. Ivson foi localizado em João Pessoa (PB), no dia 7 de agosto. Eles está preso em Pesqueira, no Agreste de Pernambuco. Ademir e Ciro foram mortos durante a investigação. O delegado acredita em queima de arquivo.
“Descobrimos que eles fazem parte de uma quadrilha que comete homicídios e tem envolvimento com o tráfico de drogas. O inquérito dessas duas mortes ainda está em andamento e não temos, ainda, como afirmar o motivo, mas tudo leva a crer em queima de arquivo”, declarou o responsável pela investigação.
WhattsAPP
De acordo com o delegado, a real motivação do crime só começou a ser evidenciada após a polícia analisar trocas de mensagens entre os envolvidos, por meio do Whatsapp de Adriano. “Encontramos o celular dele no momento da prisão. Pelo aplicativo de celular, ele conversava com os outros executores e com o mandante. Todo o planejamento, desfecho, assim como indicativos da motivação estavam lá”, observou Porto.
Entretanto, Ivson e Adriano negam envolvimento no crime. Adriano responde por associação criminosa, tráfico e homicídio. Ivson responde apenas por participação no homicídio
“Para reafirmar o envolvimento dessa quadrilha no tráfico de drogas da região, a mãe, o irmão e a esposa de Adriano foram presos com drogas ao tentar entrar na penitenciária em que ele está. A maconha estava escondida dentro de uma carne assada. Tudo indica que ele conseguia, até então, comandar o tráfico mesmo dentro do presídio, por meio de celulares”, afirmou o delegado.
Thays Estarque
Do G1 PE

