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Dias atrás, o ministro Armando Monteiro Neto, que assumiu a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, recebeu a ligação de uma velha conhecida: a economista Débora Giorgi, que atuou durante muitos anos na UIA (a União Industrial Argentina) e hoje é a ministra responsável pelo setor industrial argentino. Os dois acertaram que a primeira viagem internacional de Armando Monteiro Neto será para a Argentina, país que absorve a maior parte das exportações de produtos manufaturados brasileiros.
Armando não irá sozinho. Viajará acompanhado do chanceler Mauro Vieira, que assumiu o Itamaraty depois de servir em duas embaixadas estratégicas: Washington e Buenos Aires. “Vamos juntos para demonstrar a importância que a Argentina e o Mercosul têm para o Brasil”, disse ele ao 247. “O Mercosul, ao contrário do que muitos críticos dizem, talvez movidos por preconceito ideológico, jamais foi uma âncora para o Brasil”.
No entanto, apesar de reconhecer a importância da integração sul-americana, Armando Monteiro enxerga hoje a maior oportunidade para o comércio exterior brasileiro nos Estados Unidos. “Eles já saíram da crise, estão sendo beneficiados pela queda nos preços do petróleo, e querem claramente fortalecer a relação com o Brasil”. Segundo ele, problemas do passado recente, como o episódio da espionagem da presidente Dilma Rousseff pela NSA, estão sendo superados e o primeiro passo foi dado pelo vice Joe Biden, que veio ao Brasil para a posse, quando foi acertado um novo encontro de cúpula entre os dois países.

“Só no ano passado, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos cresceram 23%”, diz Armando Monteiro, enfatizando que o mercado norte-americano também absorve produtos manufaturados do País. “Há espaço para incrementar ainda mais a venda de produtos industriais”, diz o ministro que já vislumbra oportunidades até em Cuba, depois da distensão iniciada entre Havana e Washington. “O tão criticado porto de Mariel coloca o Brasil em posição estratégica e Cuba poderá ser um grande entreposto ou centro de distribuição de produtos brasileiros”.
Contraponto a Levy
Armando Monteiro assumiu o MDIC num momento em que as exportações voltaram a estar no centro da agenda nacional. Depois de 14 anos, o Brasil voltou a registrar déficit na balança comercial. Foi um valor pequeno, de US$ 4 bilhões, mas o ministro espera reverter a tendência já em 2015. Um dos fatores positivos é a queda do petróleo. Só em 2013 e 2014, a conta petróleo registrou déficits somados de US$ 36 bilhões. “Esse valor vai cair muito em 2015″, antecipa.
Ele afirma que, com o câmbio atual, e os estímulos que serão discutidos para o setor, o País poderá voltar a trabalhar com fortes superávits nos próximos anos. “Precisamos, sim, de incentivos e de uma nova agenda da competitividade para todos os setores exportadores brasileiros”, diz ele. Armando afirma que isso não é contraditório com os ajustes defendidos por Joaquim Levy, titular da Fazenda. “Os ajustes são necessários, todos concordamos com isso, mas não podem ter um efeito paralisante”.
Armando Monteiro Neto prepara, para os próximos 30 dias, um Plano Nacional de Exportações, que irá destacar as potencialidades de cada estado brasileiro. Além disso, ele irá reforçar no MDIC o Conex, o Conselho Nacional da Exportação, que será composto por alguns dos maiores grupos empresariais do País. Ele não antecipa os nomes, mas diz que estarão representadas as principais cadeias produtivas e entidades empresariais do País.
Ele afirma que tanto o MDIC quanto o Itamaraty irão trabalhar na mesma sintonia e com o mesmo foco: uma diplomacia de resultados. É nesse contexto que a reaproximação com os Estados Unidos será colocada. “Sem nenhum viés ideológico”, diz ele. O ministro afirma que não há sequer a necessidade de costura de um acordo bilateral de comércio. “As tarifas já são baixas. Precisamos é remover as barreiras não-tarifárias e restabelecer os laços de confiança”. (247)
Quinta, 15 de Janeiro de 2015 – Postado por Elismar Rodrigues

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