O crime brutal cometido contra Beatriz Angélica Mota, de sete anos, que chocou Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), parece ter deixado também a população mergulhada numa paranoia sem fim, após a divulgação na semana passada do retrato falado do provável assassino da menina. E isso é muito perigoso, principalmente em tempos de redes sociais.
Tais ferramentas, que deveriam servir somente para colaborar, também podem atrapalhar. Foi o que aconteceu ao irmão do jogador do Barcelona, Daniel Alves.
O músico Ney Alves foi associado, de forma irresponsável, ao homem do retrato falado, através de comentários no WhatsApp e Facebook.
O mesmo aconteceu ao ex-funcionário do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, Adaílton da Silva Paixão. Em áudios divulgados pelo WhatsApp, uma mulher simplesmente afirma “achar” que o assassino poderia ser Adaílton, ligando o nome dele ao fato de ter sido demitido do colégio onde o crime aconteceu. E pior: faz ilações ao nome do ex-funcionário com bruxaria, insinuando que Beatriz teria sido morta num ritual satânico e que Adaílton estaria envolvido, juntamente com outras pessoas.
No último final de semana, um suposto suspeito pelo crime foi preso em Salvador (BA). O fato viralizou pelas redes sociais, mas o delegado responsável pelo caso, Marceone Ferreira, afirmou que o rapaz detido seria um andarilho e aparentemente apresentava transtornos mentais ao depor à polícia baiana, descartando a hipótese de que teria sido ele o assassino de Beatriz.
Todo cidadão de bem, seja de Petrolina ou Juazeiro, quer ver o monstro que ceifou a vida de uma inocente atrás das grades. Mas a ansiedade de achar culpado (as) ou declarações levianas baseadas em “achismos” não levarão ao assassino. Pelo contrário: só servirão para prejudicar as investigações.
Neste momento em que todos clamam ansiosamente por justiça, o melhor a se fazer é deixar a polícia fazer seu trabalho. Calma e sensatez são fundamentais. (Fonte:Carlos Britto)

