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Início » Deputados recebem laudo que mostra que água do Rio Doce está imprópria para consumo
Brasil

Deputados recebem laudo que mostra que água do Rio Doce está imprópria para consumo

Elismar RodriguesPor Elismar Rodrigues04/02/2016Nenhum comentário Leitura 4 min.
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O estudo aponta que a turbidez e o total de sólidos em suspensão estão em concentrações muito acima do que estabelece a legislação (Foto: Fred Loureiro – Secom-ES/Divulgação)

A Frente Parlamentar do Meio Ambiente da Câmara dos Deputados recebeu ontem (3) um laudo técnico que mostra que a água do Rio Doce e de seus afluentes está imprópria para consumo humano e de animais. O material foi elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceira com universidades e outras organizações da sociedade civil.

Para analisar o impacto ambiental no rio, uma expedição foi feita no período de 6 a 12 de dezembro de 2015 percorrendo os municípios afetados pelo rompimento da barragem na cidade de Mariana (MG). Foram coletadas 29 amostras de lama e água para análise em laboratório ao longo de 29 municípios. Dos 18 pontos analisados em campo, 16 apresentaram o IQA (Índice de Qualidade da Água) péssimo e dois regular.

No dia 5 de novembro do ano passado, o rompimento da Barragem de Fundão derramou 32 milhões de metros cúbicos de lama de rejeitos de mineração no Rio Doce em Mariana (MG). O episódio causou a morte de 17 pessoas, prejudicou municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo e continua causando impactos ambientais graves no rio e no oceano.

Metais pesados
Segundo a coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, a expedição constatou que a condição ambiental do Rio Doce é péssima em 650 quilômetros de rios. “A lama e o rejeito de minério trouxeram uma quantidade de metais pesados que já existiam na bacia do rio, mas em parâmetros aceitáveis, mas, a partir do acidente, essas quantidades aumentaram em até 5 mil vezes e isso que torna a água bruta imprópria para uso em toda a bacia”, disse.

A coordenadora lembrou que em várias localidades a população se sente insegura com as informações repassadas sobre o uso da água. “Nesses locais as águas ficaram indisponíveis para usos múltiplos com base no que estabelece a legislação vigente”, disse. “A população diz que está insegura com as informações”.

O estudo aponta que a turbidez e o total de sólidos em suspensão estão em concentrações muito acima do que estabelece a legislação. Ela variou de 5.150 NTU (Nephelometric Turbidity Unit, unidade matemática utilizada na medição da turbidez) na região de Bento Rodrigues e Barra Longa, a 1.220 NTU em Ipatinga (MG), aumentando gradativamente na região da foz, em Regência (ES). “O máximo aceitável deveria ser 40 NTU”, diz Malu.

Durante a sua exposição, Malu lembrou que o Rio Doce apresentava uma condição precária antes do rompimento da barragem de rejeito de minério, mas que a situação se agravou severamente, após o rompimento e com a chegada das chuvas que arrastam mais lama para o leito do rio.

“Em alguns trechos, o leito não tinha mais que 40 centímetros de profundidade. Muitos desses lugares a população usava canoas para se deslocar e isso não é mais possível”, afirmou. “Agora com as chuvas, mais sedimentos estão sendo carregados novamente para o leito do rio”.

Legislação ambiental
Para os deputados da frente, o material serve de subsídio para que o Congresso Nacional melhore a legislação ambiental. “Esse laudo subsidia a gente para propor e cobrar do parlamento a contribuição que ele pode dar”, disse o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

Segundo Molon, o estudo também serve para cobrar dos governo federal, estadual e municipais medidas mais eficazes de apoio a população afetada e de recuperação da bacia do Rio Doce. “Temos que fazer desse limão uma limonada, tomando medidas para reparar os graves danos causados e recuperar o rio. A tragédia de Mariana pode se tornar um caso de sucesso se o Poder Público se empenhar nesse caso”, opinou.

Presidente da frente, o deputado Sarney Filho (PV-MA) disse que o rompimento da barragem de rejeitos em Mariana foi uma tragédia anunciada e que o vazamento de lama continua. O deputado disse que é preciso haver a responsabilização dos responsáveis “que, negligentemente, deixaram isso ocorrer”, disse.

Sarney Filho disse ainda que a proposta de novo Código de Mineração, em tramitação na Câmara dos Deputados, deve ser revista. Segundo o deputado, o texto, que está próximo de ir à votação em Plenário, é francamente favorável à atividade de mineração em detrimento das questões ambientais. “É preciso privilegiar as populações que são atingidas direta ou indiretamente por essa atividade”, disse.

Agência Brasil
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Elismar Rodrigues
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Elismar Rodrigues é radialista e jornalista com atuação focada em informação local e cobertura de interesse público. Com experiência em comunicação e produção de conteúdo, contribui para o fortalecimento do jornalismo regional como editor chefe do portal Ouricuri em Foco. DRT 0004434/PE – Radialista | DRT-PE 0006914 – Jornalista

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