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Famílias brasileiras perdem R$ 16 bi de seu poder de compra mensal

Supermercado em São Paulo. Eduardo Knapp/FolhaPress
A capacidade das famílias brasileiras de consumir bens e serviços ao longo de um mês encolheu em R$ 16 bilhões neste ano.
Com a inflação em alta, o desemprego crescente e o crédito restrito, o
poder de compra das famílias, propulsor da economia nos últimos anos,
está em queda pela primeira vez desde 2003 e deve se manter em baixa nos
próximos meses.
Estudo da consultoria Tendências, obtido pela Folha, mostra que o
poder de compra das famílias foi de R$ 240 bilhões na média mensal de
janeiro a maio —6,2% menor do que em igual período de 2014 (R$ 256
bilhões).
“Depois de anos de aumento da capacidade de consumo, fica até difícil
falar em empobrecimento do brasileiro, mas é exatamente o que está
acontecendo”, afirmou Rodrigo Baggi, economista da consultoria
Tendências.

Isoladamente em maio, o poder de compra estava em R$ 229 bilhões, o
que representava um retrocesso ao patamar de janeiro de 2012 (R$ 228,5
bilhões).
Para chegar aos números, a consultoria considera a massa de renda
(inclusive da previdência) descontando a inflação, a oferta de crédito
(com imobiliário) e os gastos das famílias com pagamento de dívidas.
O poder de compra das famílias encolheu porque a inflação corroeu a
renda dos brasileiros e o ritmo das novas concessões de crédito
–componente básico do consumo­— desacelerou.
SUPÉRFLUOS
O empresário Bruno Gorodicht, 34 anos, é um dos que sentem na pele
esses efeitos. Com custo de vida 10% maior em 2015, ele precisou
readequar seus gastos, cortando supérfluos como restaurantes e viagens.
“Só o colégio da minha filha aumentou 20%. Mas minha renda não acompanhou”, diz o empresário, dono da rede Espetto Carioca.
As famílias de baixa renda são as que mais sofrem. Elas têm menos
supérfluos para cortar do orçamento e acesso restrito a investimentos
que superam a inflação.
Outro problema é que, com um mercado de trabalho em deterioração, o ambiente para as negociações salariais está desfavorável.
“O trabalhador não consegue cobrar aumento acima da inflação. A
prioridade é manter o emprego”, afirma Hélio Zylberstajn, coordenador do
site Salários.org.br e professor da USP.
Nas projeções da Tendências, o poder de compra deve recuar, ao fim do
ano, 6,1% na comparação com 2014. No ano que vem, com a expectativa de
desaceleração da inflação, o poder de compra pode ter pequeno aumento,
de 0,6%.
Com informações da Folha de São Paulo

Domingo, 26 de julho de 2015
– Postado por Elismar Rodrigues

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