Wellington Ramalhoso*
Do UOL, em Brasília
A presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer em uma das últimas fotos lado a lado, em dezembro de 2015
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais nesta sexta-feira (15), a presidente Dilma Rousseff (PT) acusa, sem citar nomes, o PMDB do vice-presidente Michel Temer e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), de tentar um golpe, por meio do impeachment, para “impor sacrifícios à população” e “revogar direitos e cortar programas sociais”.
O UOL comparou as falas de Dilma aos tweets publicados por Temer na manhã deste sábado (16), em que ele rebate as declarações da presidente, e à gravação feita pelo vice na última segunda-feira (11) em que ele já falava como se a Câmara tivesse aprovado o encaminhamento do pedido de impeachment para o Senado e às propostas que o PMDB vem discutindo.
Sacrifícios
O que diz Dilma: “Os golpistas já disseram que se conseguirem usurpar o poder será necessário impor sacrifícios à população brasileira.”
O que diz Temer: Em dois trechos de sua gravação, o vice-presidente afirmou que sacrifícios são necessários.
“Vamos ter muitos sacrifícios pela frente. Sem sacrifícios, nós não conseguiremos avançar para retomar o crescimento e o desenvolvimento.”
“Tudo isto que estou a dizer significará, devo registrar, sacrifícios iniciais para o povo brasileiro, em primeiro lugar. Em segundo lugar, não quero gerar nenhuma expectativa falsa. Não pensemos que se houver uma mudança no governo, em três ou quatro meses, estará tudo resolvido. Em três ou quatro meses, pode começar a ser encaminhado.”
Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida
O que diz Dilma: “Querem revogar direitos e cortar programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Ameaçam até a educação pública.” Não fica claro, na crítica de Dilma, se “cortar” significaria diminuir ou acabar com programas sociais, nem a quais programas da área de educação ela se refere.
O que diz Temer: O vice negou ter a intenção de acabar com o Bolsa Família e programas da área de educação, como Pronatec e o Fies. “Sei que dizem, de vez em quando, que se outrem assumir, nós vamos acabar com o Bolsa Família, acabar com o Pronatec, com o Fies. Isto é falso, é mentiroso e é fruto desta política mais rasteira que tomou conta do país. Nós deveremos manter esses programas e se possível revalorizá-los e ampliá-los.”
No Twitter, o vice rebateu diretamente o vídeo de Dilma: “Leio hoje nos jornais as acusações de que acabarei com o Bolsa Família. Falso. Mentira rasteira. Manterei todos programas sociais.”
No áudio vazado anteriormente, Temer não havia feito menção ao Minha Casa, Minha Vida, mas, de acordo com reportagem do “Estadão Conteúdo”, o PMDB discute a revisão de subsídios e revisão na abrangência de programas sociais.
Moreira Franco, ex-ministro de Assuntos Estratégicos e da Aviação Civil, figura próxima a Temer, afirmou ao “Estadão” que é necessário reavaliar o uso do FGTS, a fundo perdido, para financiar o Minha Casa, Minha Vida. “Isso precisa ser enfrentado antes que vire um grande problema: estão levando o uso do FGTS ao limite – e o fundo é do trabalhador, precisa ser remunerado, não dá para fazer graça com o dinheiro dos outros.”
Franco também disse que é necessário tornar o Pronatec mais seletivo e o Fies, mais rigoroso. De acordo com o “Estadão”, o PMDB discutiu limitar o ensino gratuito nas universidades federais, mas o debate não avançou.

