Campanha do candidato do PL pretende ampliar discurso sobre inflação, juros e endividamento e buscar eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência pretende concentrar as últimas duas semanas antes do primeiro turno em temas relacionados ao custo de vida e na tentativa de atrair eleitores que atualmente declaram apoio a outros candidatos de direita e centro-direita.
Segundo O Globo, a estratégia prevê evitar ataques diretos a Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), enquanto Flávio tenta convencer parte desses eleitores a antecipar para o primeiro turno um eventual apoio à sua candidatura.
O movimento vem sendo apresentado pela campanha como uma busca pelo chamado “voto útil”. Na quinta-feira (17), durante ato em Vitória da Conquista, na Bahia, Flávio fez um apelo direto aos eleitores de seus concorrentes.
“Pensem na possibilidade de votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, para a gente resolver logo”, afirmou.
Paralelamente, a campanha pretende dar maior espaço a assuntos econômicos, principalmente endividamento das famílias, inflação, juros e custo de vida.
Entre as propostas apresentadas estão redução de impostos sobre energia e combustíveis, revisão de pontos da reforma tributária para diminuir a alíquota do IVA e investimentos em logística e armazenagem de safras. A campanha também defende estímulos à produção nacional de fertilizantes.
Outro projeto em elaboração prevê um programa de renegociação de dívidas. Segundo a coordenadora econômica da candidatura, Daniella Marques, a proposta pretende alcançar mais de 100 milhões de brasileiros. Os detalhes completos do programa ainda não foram apresentados.
A equipe econômica de Flávio também relaciona a redução da inflação e dos juros a um ajuste das contas públicas e fala em corte de despesas equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto. A campanha, porém, ainda não detalhou quais gastos seriam atingidos.
Nas últimas semanas, Flávio também tem criticado o governo Lula por temas econômicos e pelo reajuste do Bolsa Família. Apesar das críticas, decidiu não recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para tentar suspender o aumento do benefício.
Na reta final do primeiro turno, a campanha pretende ainda concentrar viagens em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A tentativa de atrair eleitores de outros candidatos de oposição já provocou reações. Ronaldo Caiado classificou o movimento pelo voto útil como “desrespeitoso”. Renan Santos, por sua vez, afirmou considerar eventual efeito da estratégia sobre seus eleitores como “marginal”.
A orientação da campanha de Flávio, segundo a reportagem, é evitar romper pontes com esses candidatos, inclusive diante da possibilidade de um segundo turno.
Fonte: O Globo
Foto: Daniel Ramalho

