Após quase quatro anos vivendo sob terror psicológico, isolamento, ameaças de morte contra seu filho e até a perda de seu animal de estimação, Adrielle Antero expõe o caso nas redes sociais. Acusado alega transtorno do espectro autista (TEA) para adiar audiência, mas segue prestando atendimento ao público na agência.
ARARIPINA (PE) — O que era para ser a simples prestação de um serviço de internet transformou-se em um pesadelo prolongado por quase quatro anos. Adrielle Antero, gerente de uma empresa de telecomunicação em Araripina, no Sertão de Pernambuco, utilizou seu perfil no Instagram para expor publicamente uma rotina devastadora de perseguição, assédio e ameaças de morte que vem sofrendo por parte de Luis Karol Wattilla Gonçalves Martins de Moura, funcionário concursado da Caixa Econômica Federal, atualmente lotado na agência de Araripina e com passagens anteriores por Picos (PI).
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O início do pesadelo
De acordo com o relato de Adrielle, o calvário começou em 2021, quando o servidor público solicitou a instalação de internet residencial. Na mesma semana, passou a reclamar incessantemente da conexão, comparecendo ao escritório da empresa repetidas vezes e exigindo ser atendido exclusivamente pela gerente, sob o argumento de que apenas ela resolveria o suposto problema.
Apesar de a empresa ter trocado todos os equipamentos — mesmo sem constatar falhas técnicas —, o assédio escalou. Adrielle recusou presentes enviados pelo cliente, e a empresa, ciente da situação e contando com orientação jurídica, decidiu rescindir o contrato de prestação de serviços.
A partir desse momento, a perseguição intensificou-se. Adrielle relata que passou a ser contactada incessantemente por números diferentes, mesmo após bloquear o agressor. As mensagens evoluíram para ameaças explícitas de morte direcionadas a ela, a seus familiares e ao seu filho, que na época tinha apenas cinco anos.
Isolamento, danos psicológicos e crueldade
No vídeo de quase 17 minutos divulgado com autorização da vítima, Adrielle descreve como sua vida foi drasticamente reduzida. Ela precisou se privar de sair de casa, afastar-se do trabalho, abandonar redes sociais profissionais, dispensar sua babá, retirar o filho da escola e iniciar um rigoroso acompanhamento psiquiátrico com uso de remédios controlados.
O grau de invasão era alarmante: o agressor conhecia sua rotina detalhadamente, horários de saída e chegada, relacionamentos, e passou a enviar solicitações de amizade aos seus familiares para intimidá-los.
Em um dos episódios mais chocantes narrados na denúncia, Adrielle relata o roubo e assassinato de seu cachorro de estimação, “Chico”. Em conversa exposta no material, o agressor teria confessado o crime como ato de vingança, enviando a mensagem: “Lembra de Chico? Bernardo (filho de Adrielle) terá o mesmo final”.
Impasse na Justiça e histórico judicial
Adrielle explica que só pôde vir a público agora por ter recebido uma intimação para uma audiência marcada para o último dia 6 de outubro — momento em que teria respaldo legal para expor as provas acumuladas ao longo de quatro anos. No entanto, a audiência não aconteceu, pois a defesa de Luis Karol alegou insanidade mental, mencionando o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Mesmo contando com uma medida protetiva de urgência concedida pela Justiça — a qual ela reconhece como um avanço, embora ainda não se sinta 100% segura —, a vítima vive sob sobressalto. O funcionário público continua lotado na agência da Caixa Econômica Federal em Picos-PI, atendendo a população normalmente. Segundo informações obtidas pela vítima junto a órgãos de justiça, por ser funcionário concursado, ele só perderá o cargo caso haja uma condenação penal definitiva.
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Uma averiguação feita pelo Caderno de Pernambuco nos registros do sistema de justiça aponta que o nome de Luis Karol Wattilla Gonçalves Martins de Moura consta em 31 processos, sendo 26 deles no estado do Piauí e 2 em Pernambuco. A figura do Ministério Público Federal aparece com destaque em cinco dessas ações, e a Caixa Econômica Federal figura em quatro processos, evidenciando um histórico que exige rigorosa atenção das autoridades competentes.
Posicionamento e cobrança por justiça
O portal Caderno de Pernambuco entrou em contato com Adrielle Antero, que autorizou expressamente a publicação desta matéria.
- Espaço aberto: Deixamos o espaço inteiramente aberto para manifestação da defesa de Luis Karol Wattilla Gonçalves Martins de Moura, caso queira se pronunciar sobre os fatos relatados.
- Cobrança institucional: O Caderno de Pernambuco cobra um posicionamento enérgico e célere do Poder Judiciário, das forças de segurança do Estado de Pernambuco, bem como da direção da Caixa Econômica Federal, exigindo medidas administrativas imediatas para a garantia da integridade física e psicológica de Adrielle, de sua família e de toda a sociedade que frequenta a agência bancária. Nenhuma mulher deve viver sob o medo e a impunidade.Clínicas Estéticas
Assista ao Vídeo Completo
O vídeo com o relato completo de Adrielle Antero, contendo os prints das conversas, números utilizados e provas materiais autorizadas, está disponível em nosso canal no YouTube.
Caderno PE

