"> Veja os prós e contras do tratamento com testosterona

Saúde

Globo Repórter mostra prós e contras do tratamento com testosterona

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Zakie diz que hormônio trouxe de volta o prazer de viver. Everton tomou por conta própria e quase morreu. Flávio faz tratamento para aumentar produção.

Zakie Choucair tem 54 anos, mora em São Paulo e é advogada. Everton Lima também é da capital paulista, tem 22 anos e está desempregado. Flávio é professor, tem 29 anos, e mora em Niterói, no Rio de Janeiro. Os três viveram experiências bem diferentes usando a testosterona.
Para Zakie, o uso do hormônio trouxe de volta o bom humor, o prazer de viver. Sofrendo com os sintomas da menopausa, ela experimentou vários tratamentos, sem sucesso. Até que, há cerca de três anos, por indicação médica, passou a fazer a reposição hormonal com progesterona, estrogênio e testosterona.
Já para o Everton, a história foi bem diferente. E não teve nada de bom. Jovem, muito vaidoso, invejava o físico atlético dos amigos da academia. Decidido a ganhar músculos definidos o mais rápido possível, tomou testosterona por conta própria e quase morreu.
A testosterona, é o principal hormônio sexual masculino. Produzido principalmente nos testículos, controla o desenvolvimento das características sexuais do homem e as funções de reprodução do seu corpo. Está diretamente ligado ao crescimento das massas muscular e óssea. Nas mulheres, a testosterona é produzida nos ovários, mas em quantidade muito inferior em relação aos homens. A testosterona também estimula o aumento da massa muscular.
Embora seja ilegal, é fácil encontrar na internet sites oferecendo o produto. E é aí que muita gente que quer ficar com o corpo musculoso compra o hormônio, sem indicação médica.
Com o hormônio e a malhação na academia, em pouco tempo, ganhou peso e músculos. O rapaz não contou em casa que estava tomando as injeções. A família não sabia que ele estava correndo um grande risco, só por vaidade. Bastou um mês de uso da testosterona para Everton perceber que não estava bem. Ele tinha hepatite.
Se Everton se deu mal nesse jogo e passou o maior sufoco, Zakie está se dando muito bem usando a testosterona com acompanhamento médico. A maior satisfação dela foi se livrar dos incômodos da menopausa.
O médico Marco Botelho, da Universidade Federal de São Paulo, que vem desenvolvendo pesquisas sobre a testosterona, enumera vários benefícios do uso do hormônio. Na pesquisa feita na universidade, a ela é aplicada na pele das pacientes do ambulatório na forma de gel. O hormônio é reduzido a uma dimensão microscópica, as nanoparticulas, que são liberadas no organismo, de maneira constante e controlada, durante 24 horas.
Diariamente o Flávio, que é professor de História, cumpre esse ritual. Em apenas cinco minutos ele espalha, nos braços, o gel com testosterona, que seca bem rápido. Flávio tem uma baixa produção de testosterona – e os médicos nunca descobriram por quê. Com o apoio da esposa, Flávio tentou encontrar a resposta durante um ano. Foi a vários médicos e teve um que chegou a receitar antidepressivo.
Normalmente, o declínio na produção da testosterona acontece a partir dos 40 ou 50 anos. A cada ano o homem tem uma queda de aproximadamente dois por cento. Com 75 anos ele já apresenta de 35 a 50% menos testosterona do que um homem jovem normal. Mas casos como o do Flávio acontecem, e às vezes os médicos custam a acertar no diagnóstico, por serem pessoas jovens.
Uma boa receita para elevar a produção de testosterona é a alimentação saudável, um bom sono, a prática de exercícios físicos, evitar o cigarro e moderar na bebida alcoólica.

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