Aos 90 anos, morreu ontem (8) à noite, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, a cantora e apresentadora do programa Viola, Minha Viola, Inezita Barroso. A informação foi confirmada na página daTV Cultura na internet, emissora em que apresentava o programa. Ela estava internada desde o dia 19 de fevereiro.
Reconhecida como a mais importante expressão artística da música caipira no país, Inezita teve atuação marcante não só na abertura de espaços a talentos da música caipira, como em diversos ramos da cultura. Além de gravar músicas de sucesso, como Ronda, A Marvada Pinga e Lampião de Gás, foi uma das primeiras atrizes da antiga Companhia Cinematográfica Vera Cruz.
A cantora nasceu em São Paulo e viveu entre o bairro Barra Funda, na capital, e a fazenda da família, no interior do estado. Formada em biblioteconomia, Inezita tinha grande interesse nos valores regionais do Brasil e tornou-se professora universitária de folclore nacional.
O jornalista, no entanto, lamenta não ter conseguido terminar o segundo livro sobre a artista, já que o primeiro, A Menina Inezita Barroso, lançado pela Cortez Editora, relata apenas os primeiros 17 anos de vida da cantora. “A ideia era prosseguir, mas não deu tempo”, disse ele, que tinha convivência próxima com ela, desde a década de 80.
De acordo com o seu relato, embora a cantora tenha vivido a maior parte do tempo em São Paulo, a carreira começou no Recife, Pernambuco, com impulso do compositor e pianista Lourenço Barbosa da Fonseca, morto em 1997. “Cornélio Pires, paulista de Tietê, foi o primeiro homem a gravar modas de viola. Inezita, foi a primeira mulher”, acrescentou Ângelo.
A artista deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos.
O velório acontece na Assembleia Legislativa de São Paulo, na Avenida Pedro Álvares Cabral, 201, Parque Ibirapuera, aberto ao público.


