Reportagem Especial / Opinião & Análise Política
O debate sobre o futuro do saneamento básico e do abastecimento de água em Pernambuco ganhou novos capítulos de tensão e forte indignação popular. A transição do modelo de gestão da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) para a iniciativa privada — processo impulsionado pela gestão estadual — vem acompanhada de incertezas operacionais, adiamentos cronológicos e um reajuste drástico em taxas essenciais que atinge diretamente o bolso do consumidor.
Recentemente, o deputado federal Pedro Campos colocou luz sobre um cenário que muitos especialistas e cidadãos já temiam: “O preço da privatização da COMPESA chegou! As empresas ainda não estão prontas para assumir os serviços e, como sempre, quem corre o risco de pagar essa conta duas vezes é o povo pernambucano!”
Atrasos na Operação e Incerteza no Abastecimento
O discurso oficial prometia eficiência imediata, investimentos bilionários e o fim do crônico racionamento de água. No entanto, a realidade do processo de transição aponta para atrasos no cronograma de obras de infraestrutura e dúvidas sobre a capacidade real das novas concessionárias em assumirem operações complexas sem interromper o atendimento à população.
Enquanto os prazos para melhorias estruturais são adiados, a população de diversas regiões do estado continua enfrentando a intermitência nas torneiras e a falta de saneamento adequado.
MODELO PROPOSTO vs. REALIDADE PERCEBIDA
Expectativa do Projeto Cenário Atual de Transição
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│ Fim do racionamento │ ──► │ Obras e metas adiadas │
│ Tarifas justificadas │ ──► │ Altas taxas de serviço │
│ Transição ágil │ ──► │ Operadoras despreparadas│
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Explosão nas Taxas: Corte, Religação e Nova Ligação
Um dos pontos mais críticos denunciados no processo diz respeito à aprovação da nova tabela de serviços operacionais. Reajustes expressivos em serviços básicos — como religar o fornecimento de água ou solicitar uma nova ligação residencial — alcançam percentuais exorbitantes se comparados à tabela anterior.
- Nova Ligação de Água: Cobranças que saltam de patamares acessíveis para valores que impactam diretamente o orçamento das famílias de baixa renda.
- Taxa de Religação e Corte: Penalização financeira severa para quem atrasa faturas, transformando um serviço essencial em um gargalo financeiro.
Essa reestruturação tarifária antecipa a lógica comercial privada antes mesmo que o cidadão perceba qualquer avanço qualitativo na prestação do serviço público.
Quem Paga a Conta?
A crítica central incide sobre o modelo de transferência ao setor privado sem salvaguardas sociais suficientes. Quando concessionárias assumem contratos sem a devida prontidão técnica ou logística, o custo do período de adaptação e os aditivos contratuais acabam repassados à sociedade.
“Quem corre o risco de pagar essa conta duas vezes é o povo pernambucano: primeiro com tarifas e taxas operacionais mais caras, e segundo com o atraso de obras estruturantes que deveriam ser prioridade máxima.”
A cobrança por transparência, revisão das tabelas operacionais e fiscalização rigorosa por parte dos órgãos reguladores torna-se urgente para impedir que o acesso à água — um direito humano fundamental — seja refém de uma transição precipitada e onerosa.

