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Tudo pronto para a 45ª edição da Missa do Vaqueiro no Sitio Lajes em Serrita – PE‏

A programação da 45ª edição da Missa do Vaqueiro, considerada
o maior evento cultural e religioso dos sertões, já está definida. Este
ano, a tradicional celebração, sediada pelo município de Serrita, no
Sertão pernambucano, a 535 km de distância do Recife, acontece nesta semana, entre os dias 23 e 26 de julho, com shows de bandas
locais e nacionais, pega de boi, vaquejada, exposição de artesanato e, o
ponto alto do evento, o culto ecumênico realizado no domingo, o último
do mês. Entre as atrações musicais, nomes como Lucy Alves, Mastruz com
Leite, Josildo Sá, Coral Aboios, Arreio de Ouro, Raniery e Flávio
Leandro.

Uma das novidades desta edição, patrocinada pela Empetur/Secretaria
de Turismo, FunculturaFundarpe, Governo do Estado de Pernambuco e
Prefeitura Municipal de Serrita, é a estreia, na sexta-feira (24), da
programação diurna do evento, com a montagem de quatro tendas no Parque
Lajes, todas com rodas de forró pé de serra e shows de aboiadores,
repentistas e cantadores a partir das 17h. Entre as atrações, a banda
Baião Mais Eu, Xote Federal e Nildo do Acordeon. A iniciativa foi da
Apega – Associação dos Vaqueiros de Pega de Boi na Caatinga do Alto
Sertão de Pernambuco –, com apoio da Fundação Padre João Câncio, que
juntas promovem o evento.
Já a programação noturna da Missa começa na quinta-feira (23), com
shows na Vila Ipueira. Na sexta-feira (24) e sábado (25,) todas as
atividades se concentram no Parque do Vaqueiro, local da celebração da
missa em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó. O padre Domingo Pedro será
o celebrante. Os músicos Josildo Sá e Flávio Leandro, o poeta Pedro
Bandeira, o Coral Aboios e as duplas de aboiadores Fernando e Ronaldo e
Chico Justino e Cícero Mendes também participam da celebração da Missa.
O evento, conhecido por misturar o sagrado e o profano,
tradicionalmente conta com o prestígio de milhares de turistas de todo o
Nordeste, lotando hospedagens da cidade e dos municípios vizinhos, como
Salgueiro, Exu, Parnamirim e Morelândia, além de movimentar o fluxo do
comércio local. E nesta edição não poderia ser diferente, os
organizadores estimam um público de aproximadamente 70 mil pessoas para
comemorar os 45 anos da Missa. Para garantir a segurança e conforto dos
visitantes, o evento conta com o apoio do DER da Secretaria de Saúde,
Secretaria de Defesa Social, SEBRAE e Compesa.
Sobre a história da Missa – Realizada anualmente sempre no quarto
domingo do mês de julho, a Missa do Vaqueiro tem em suas origens uma
história que foi consagrada na voz de Luiz Gonzaga: a de Raimundo Jacó,
um vaqueiro habilidoso na arte de aboiar. Reza a lenda que seu canto
atraía o gado, mas atraía também a inveja de seus colegas de profissão,
fato que culminou em sua morte numa emboscada. O fiel companheiro do
vaqueiro na aboiada, um cachorro, velou o corpo do dono dia e noite, até
morrer de fome e sede.
A história de coragem se transformou num mito do Sertão e três anos
após o trágico fim, sua vida foi imortalizada pelo canto de Luiz
Gonzaga. O Rei do Baião, que era primo de Jacó, transformou “A Morte do
Vaqueiro” numa das mais conhecidas e emocionantes canções brasileiras.
Mas Gonzaga queria mais. Dessa forma, ele se juntou a João Câncio dos
Santos – padre que ao ver a pobreza e as injustiças cometidas contra os
sertanejos passou a pregar a palavra de Deus vestido de gibão – para
fazer do caso de Jacó o mote para o ofício do vaqueiro e para a
celebração da coragem.
Assim, em 1970, o Sítio Lajes, em Serrita, onde o corpo de Jacó foi
encontrado, recebe a primeira Missa do Vaqueiro. De acordo com a
tradição, o início da celebração é dado com uma procissão de mil
vaqueiros a cavalo, que levam, em honras a Raimundo Jacó, oferendas –
como chapéu de couro, chicotes e berrantes – ao altar de pedra rústica
em formato de ferradura. A missa, uma verdadeira romaria de renovação da
fé, acontece sempre ao ar livre e se assemelha bastante aos rituais
católicos, porém contando com toques especiais que caracterizam o
evento: no lugar da hóstia, os vaqueiros comungam com farinha de
mandioca, rapadura e queijo, todos montados a cavalo.
Do Portal Serrita
Terça, 21 de julho de 2015 – Postado por Elismar Rodrigues

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