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OAB quer discutir grafia de palavras com signatários do acordo ortográfico

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Grafia tem de ser definida antes de 2016 quando o acordo torna-se obrigatorio, alerta OABArquivo/Agência Brasil

A
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quer discutir a definição da grafia
de algumas palavras da língua portuguesa com os demais países
signatários do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

No dia
12 de novembro, o Conselho Federal da OAB vai apresentar um relatório
detalhando as sugestões na Academia de Ciências de Lisboa, em Portugal. A
partir de então, o debate poderá ser ampliado também para os países do
Ccontinente africano.
No Brasil, o Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa passa a ser obrigatório no ano que vem, mas, para a OAB, as
novas regras ainda deixam dúvidas na grafia de algumas palavras, que
ainda não constam no dicionário da língua portuguesa. A Ordem quer que
as sugestões sejam incorporadas ao Sexto Vocabulário Comum da Língua
Portuguesa, em 2016.

No início do ano, a OAB buscou a Academia Brasileira de Letras (ABL) e o Ministério das Relações Exteriores para propor definições de palavras que têm impacto no meio jurídico. A intenção agora é levar o debate para os outros países.
“Será
o início de um projeto que queremos desenvolver em todas as ordens dos
advogados e nos órgãos oficiais desses países”, explica o representante
oficial da OAB para assuntos ligados ao Tratado Internacional da Língua
Portuguesa, Carlos André Nunes. Além do Brasil, assinam o acordo Angola,
Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e
Timor-Leste.
Na última terça-feira (6) Nunes conversou sobre
questões do acordo em encontro com o embaixador português, Francisco
Ribeiro Telles. Segundo o representante da OAB, o tratado ainda é alvo
de polêmica, principalmente em Portugal, onde metade da população
concorda e metade discorda.
Para o advogado, falta mobilização no
Brasil. “Neste momento a sociedade civil precisa debater o assunto. O
acordo vai entrar em vigor, mas a nossa preocupação é com o vocabulário,
queremos que sejam retirados os problemas que o acordo tem. É
importante que outros grupos além da OAB, saibam que também podem fazer
sugestões.”
Sugestões da OAB

Uma das
principais questões em debate é o uso do hífen. A expressão lava jato,
por exemplo, que dá nome à operação da Polícia Federal que investiga
desvio de recursos na Petrobras, entra no rol das palavras duvidosas.
Existem dúvidas também em palavras usadas no meio jurídico, como hora
extra, que pode ser usada com hífen, caso em que extra é característica
da hora.

O uso de letra maiúscula ou minúscula também gera
dúvidas. É o caso da palavra país, para a qual a OAB vai sugerir inicial
maiúscula quando se referir a um termo já citado. Por exemplo, se um
texto mencionar Brasil e, logo em seguida, país, escreve-se País.

A OAB também não está satisfeita com a eliminação do trema, que,
segundo a entidade, é fundamental para definir a pronúncia de
determinadas palavras.

Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil
Segunda, 12 de outubro de 2015 – Postado por Elismar Rodrigues

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