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Início » Operador de Eduardo Cunha se oferece à Lava Jato para entregar Temer
Política

Operador de Eduardo Cunha se oferece à Lava Jato para entregar Temer

Elismar RodriguesPor Elismar Rodrigues04/06/2017Atualizada:05/06/2017Nenhum comentário Leitura 5 min.
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Há 11 meses encarcerado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, Lúcio Bolonha Funaro (foto), aguarda ansiosamente as sextas-feiras. É o dia em que recebe a visita da mulher, acompanhada da filha de 1 ano e meio, e é abastecido com itens essenciais como roupa de cama, toalha, sabão em pó para lavar roupa, 1 litro de água sanitária para limpar a cela, frutas, biscoitos e pacotes de um de seus doces favoritos, pé de moleque. Amigo e operador do ex-deputado Eduardo Cunha, do PMDB, desde o início dos anos 2000, Funaro é réu, acusado de participar de um esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal. Também é investigado em diversos inquéritos. Trocou várias vezes de advogado, mas todos os seus pedidos de liberdade foram negados até agora. Já se habituara à vida espartana no cárcere, dedicada a estudar seus processos – bem diferente da rotina em uma luxuosa casa com muros altos e guarita de segurança no Alto de Pinheiros, em São Paulo. Queixo-duro, Funaro dizia que aguentaria dois anos em cana. Mudou de ideia.

Sua convicção foi abalada desde que sua irmã, Roberta, foi presa pela Polícia Federal na Operação Patmos, no dia 18, por receber dinheiro da JBS em seu nome, e cumpre pena em prisão domiciliar. Funaro agora se oferece à Procuradoria-Geral da República para virar delator. Operador do submundo do mercado financeiro, ele embrenhou-se na sombra da política por meio de Cunha e atuou como um banco do PMDB da Câmara. Durante anos, grande parte da corrupção praticada por essa turma passou por suas mãos em dinheiro vivo ou transferências, quase sempre em nome de laranjas. Funaro sabe muito, mas inspira cuidados. Conhecido do Ministério Público há mais de uma década, ele não é considerado confiável para acordos. Costuma blefar. Foi delator na investigação do esquema do mensalão e voltou a delinquir com maior intensidade, sem cerimônia nenhuma. Funaro é visto também como um criminoso perigoso. Sua delação no mensalão foi negociada pela advogada Beatriz Catta Preta. Em 2015, Funaro, segundo procuradores envolvidos no caso, ameaçou-a de morte quando um cliente dela falou sobre ele e Eduardo Cunha à força-tarefa da Lava Jato. Aterrorizada, Catta Preta fugiu com a família para Miami. Funaro também ameaçou de morte a família de um delator, Fábio Cleto, preposto instalado no FI-FGTS, encarregado de liberar recursos a empresas, entre elas as do grupo J&F, de Joesley Batista, em troca de propina para Eduardo Cunha.

O histórico de Funaro, portanto, exige cuidados. O material ofertado por ele à equipe do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no entanto, é promissor para a investigação – e capaz de elevar a gravidade da crise política a níveis mais críticos ainda. Funaro lista 12 itens que atingem o presidente Michel Temer, o principal chefe do PMDB da Câmara, tocado por Eduardo Cunha e seus aliados próximos. Temer é o protagonista do Anexo 2 da proposta de Funaro, que afirma ter provas para comprometer o presidente da República. Entre elas estão transferências bancárias, entregas de dinheiro vivo e registros com nomes de operadores e laranjas do presidente, conforme o roteiro da delação em análise pelos procuradores e a que ÉPOCA teve acesso. As informações comprometem frontalmente a defesa do presidente no julgamento desta semana no Tribunal Superior Eleitoral: Funaro confessa ter atuado como captador ilegal de recursos para a campanha de Temer a vice-presidente da República em 2014. “Elementos de corroboração”: “Efetuou vários repasses os quais pode identificar os respectivos comprovantes, hora, local e quem recebeu”, diz um trecho da proposta. Funaro acusa o então vice-presidente, Michel Temer, de atuar junto ao Banco Central para favorecer o banco BVA, em troca de recursos para campanhas eleitorais. Em 2012, o BC decretou intervenção no BVA, que acabou quebrando em 2014. Preso na última fase da Lava Jato, o fundador do BVA, José Augusto Ferreira dos Santos, tem boas relações com chefes do PMDB e é acusado de, assim como Funaro, operar como lavanderia do partido.

As acusações a Temer passam pela captação de recursos escusos para aliados, como a campanha do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, do PMDB, ao governo de São Paulo, em 2014, de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012, e fraudes no Ministério da Agricultura durante a gestão de Wagner Rossi – todos, ressalte-se, tentaram prosperar politicamente sob a influência do presidente. Funaro afirma que a partir de 2011, quando indicados do PMDB passaram a ocupar cargos relevantes na Caixa Econômica Federal, os financiamentos tinham como contrapartida propina ao partido, com envolvimento de Temer. A pedido do então vice-presidente, Funaro diz ter captado recursos dessas empresas para a campanha de Chalita. Como corroboração, cita empresas usadas como laranjas para receber os recursos de caixa dois destinados à campanha. As conversas de celular entre Funaro e um dos vice-presidentes da Caixa na época, Fábio Cleto, dão uma indicação. Em 13 de abril de 2012, às 15h44, sob o codinome Lucky, ele escreveu a Cleto: “Tem que ver essa situação da Comport e Hypermarcas aí dentro pra andar rápido, porque eles dois tão contribuindo com o Chalita e querem a contrapartida”. “Vou focar aí”, respondeu Cleto.

ÉPOCA



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Elismar Rodrigues
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Elismar Rodrigues é radialista e jornalista com atuação focada em informação local e cobertura de interesse público. Com experiência em comunicação e produção de conteúdo, contribui para o fortalecimento do jornalismo regional como editor chefe do portal Ouricuri em Foco. DRT 0004434/PE – Radialista | DRT-PE 0006914 – Jornalista

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