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Início » Quatro coisas que você precisa saber sobre o tombo dos mercados chineses – e seu efeito no Brasil
Brasil

Quatro coisas que você precisa saber sobre o tombo dos mercados chineses – e seu efeito no Brasil

Elismar RodriguesPor Elismar Rodrigues04/01/2016Atualizada:05/01/2016Nenhum comentário Leitura 5 min.
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Karishma Vaswani-Editora do Serviço Indonésio da BBC
 

O tombo dos mercados acionários chineses derrubou nesta segunda-feira as principais bolsas de valores do mundo, entre elas a brasileira.

No primeiro dia de operações de 2016, a Bovespa operou em baixa e fechou em -2,6%. Já o dólar ultrapassou a barreira de R$ 4 e terminou o dia em R$ 4,03.

O dia também está sendo de perdas no resto do mundo, com as bolsas dos Estados Unidos e da Europa registrando índices negativos.

Pela manhã, o dólar acumulava alta frente a 15 das 24 moedas emergentes ─ o real era a que mais se desvalorizava diante da moeda americana.

O movimento reflete os temores dos investidores sobre um crescimento menor da economia da China neste ano, após os dados da indústria terem vindo mais fracos do que o esperado ─ foi a décima queda consecutiva em dezembro.

Logo após a divulgação do indicador, o pregão chinês despencou 7% e acabou suspenso devido à adoção de um novo sistema conhecido como “circuit breaker”. O mecanismo, que existe em vários países do mundo, inclusive no Brasil, interrompe automaticamente as negociações de compra e venda de ações sempre que há volatilidade excessiva nos mercados.

O setor industrial chinês vem lutando contra a fraca demanda interna do país. Segundo o FMI, a previsão é de que a economia da China cresça 6,3% neste ano. Se confirmado, seria o menor valor em mais de duas décadas.

A desaceleração do gigante asiático tende a produzir efeitos negativos em todo o mundo, o que pode dificultar a recuperação da economia brasileira.

Confira abaixo quatro fatores por trás do tombo nos mercados chineses nesta segunda-feira – e, em quinto, seu efeito no Brasil.

1 – Atividade industrial mais fraca

De acordo com analistas, os dados ruins sobre a atividade industrial da China foram a principal razão para o tombo do pregão desta segunda-feira. O indicador veio mais fraco do que o esperado – houve contração pelo décimo mês consecutivo em dezembro.

As estatísticas são um reflexo da transformação da economia chinesa, cada vez mais dependente do setor de serviços e menos da indústria, que, por sua vez, vem atraindo menos investimentos estatais.

(AFP)

2 – Implantação do ‘circuit breaker’

Este foi o primeiro dia em que o sistema conhecido como “circuit breaker” foi colocado em prática.

O mecanismo suspende automaticamente a negociação de compra e venda de ações sempre que há volatilidade excessiva em momentos atípicos no mercado.

No caso da China, o pregão foi interrompido por 15 minutos quando houve uma queda acumulada de 5%.

Quando as ações voltaram a ser negociadas, e os papéis registraram perdas de 7%, as operações das bolsas de valores ─ de Xangai e de Shenzhen ─ foram completamente paralisadas.

As medidas foram implementadas no ano passado por causa do crash da bolsa chinesa, mas só entraram em vigor nesta segunda-feira.

O “circuit breaker” não é uma particularidade do mercado chinês e existe em vários países, inclusive no Brasil.

No entanto, é pouco comum que todo o pregão seja suspenso por causa de uma queda de 7% ─ uma indicação de que talvez as autoridades chinesas queiram evitar a todo custo um novo crash da bolsa.

3 – Yuan mais fraco

Houve uma depreciação acentuada do yuan pouco antes do tombo do pregão chinês. A China desvalorizou a moeda do país frente ao dólar para o menor valor em quatro anos e meio.

Especula-se que o Banco Central chinês tenha abandonado a tentativa de manter o valor do yuan frente ao dólar, o que significa que a autoridade monetária não deve continuar intervindo para segurar a cotação da moeda.

(EPA)

No entanto, crescem as preocupações de que esteja havendo uma fuga de recursos da China e que esse movimento possa sair do controle.

Investidores estão temerosos do que pode acontecer se o yuan continuar a perder valor – e o risco que isso pode acarretar para o futuro da economia chinesa, ante a posição do governo de continuar defendendo uma maior depreciação da moeda para incentivar as exportações.

4 – Venda de ações

Pessoas físicas que investem na bolsa são facilmente influenciáveis e tendem a agir conforme a maioria, movimento popularmente conhecido como “efeito manada”.

Ou seja, quando ouvem de corretores ou amigos que outras pessoas estão vendendo suas ações, também tendem a se desfazer de seus papéis. E quanto mais o preço dessas ações cai, maior é o volume vendido.

Apesar de os papéis ainda estarem acima de suas mínimas históricas, as autoridades chinesas querem evitar o crash da bolsa que ocorreu no verão passado.

5 – Brasil

Para o Brasil, a volatilidade no mercado chinês pode aprofundar a recessão e atrasar ainda mais a recuperação da economia.

Isso porque a turbulência no gigante asiático acende uma “luz vermelha” sobre outros mercados emergentes. Avessos ao risco, investidores tendem a retirar recursos desses países, derrubando as moedas locais.

“No caso do Brasil, essa contaminação tem um impacto ainda maior porque nosso mercado financeiro é bastante aberto, maior e mais líquido do que do de outros países”, explica André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Com reportagem de Luis Guilherme Barrucho, da BBC Brasil em Londres.

(http://www.bbc.com/)

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Elismar Rodrigues
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Elismar Rodrigues é radialista e jornalista com atuação focada em informação local e cobertura de interesse público. Com experiência em comunicação e produção de conteúdo, contribui para o fortalecimento do jornalismo regional como editor chefe do portal Ouricuri em Foco. DRT 0004434/PE – Radialista | DRT-PE 0006914 – Jornalista

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