Para o comediante e escritor Gregório Duvivier, o Brasil nunca combateu a corrupção tão fortemente como na atualidade; “A gente nunca foi tão pouco corrupto, com pessoas sendo presas e responsabilizadas por crimes pelos quais nunca foram responsabilizadas na história do Brasil”, afirma; para ele, a quantidade de informação disponível atualmente faz parecer que a corrupção nunca existiu em escala semelhante; “Mas, felizmente, nunca se matou e roubou tão pouco quanto hoje”; Duviver criticou a posição de boa parte da elite brasileira que critica a corrupção no governo, “mas não declara à alfândega o iPhone trazido do exterior”; “As pessoas pedem o fim da impunidade para os outros. O nosso crime é fofo, é passível de compaixão; o dos outros, não. Claro que o PSDB também roubava, mas não roubava por mal. Eram fofos, roubavam sem querer, eram obrigados a roubar”, afirma
247 – O comediante e escritor Gregório Duvivier afirmou neste domingo, 3, em entrevista ao Correio Braziliense, que o Brasil nunca combateu a corrupção tão fortemente como na atualidade.
Duvivier criticou a ideia de que o Brasil é um país corrupto como uma “sina incontornável”. “Não acho que sejamos um país corrupto, essencialmente. Somos um país com muita gente corrupta, mas tá longe de ser uma condenação”, afirmou. “Acho que, inclusive, a gente nunca foi tão pouco corrupto, com pessoas sendo presas e responsabilizadas por crimes pelos quais nunca foram responsabilizadas na história do Brasil. Consigo ver a política com certo otimismo”, completou.
O humorista acrescentou que a quantidade de informação hoje em dia faz parecer que nunca se roubou tanto ou que nunca se matou tanto. “Mas, felizmente, nunca se matou e roubou tão pouco quanto hoje. A tecnologia pode trazer um empoderamento para mudar totalmente as relações políticas e as relações de poder”, defendeu.
Gregório Duvivier criticou a posição de boa parte dos brasileiros alinhados à direita, que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, por criticarem a corrupção, sem assumir pequenas ilegalidade cometidas no dia-a-dia. “É o problema do brasileiro: as pessoas pedem o fim da impunidade para os outros. E me incomoda muito essa indignação coletiva só com o crime dos outros. O nosso crime é fofo, é passível de compaixão; o dos outros, não. É isso que as pessoas pensam. Claro que o PSDB também roubava, mas não roubava por mal. Eram fofos, roubavam sem querer, eram obrigados a roubar. E o PT fala a mesma coisa, “fomos obrigados”. Nosso roubo é sempre tranquilo e o dos outros é criminoso. É uma indignação seletiva”, critica.
Outro ponto abordado pelo humorista na entrevista ao Correio Braziliense é a agressividade nos debates políticos. “Darcy Ribeiro diz que inventaram que somos um país pacífico. É mentira. Somos um país apassivado, um país silenciado pelas forças policiais do Estado. As revoltas no Brasil aconteceram, foram muitas e foram massacradas. A divergência política no Brasil tem muito pouco tempo, a democracia tem 25 anos, a gente não sabe discutir. Logo na primeira discussão já vem gente querendo intervenção militar, o fim da democracia”.
Leia na íntegra a entrevista de Gregório Duviver.

