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Início » Saída de vítima do Estado do Rio prejudica a apuração, diz polícia
Brasil

Saída de vítima do Estado do Rio prejudica a apuração, diz polícia

Elismar RodriguesPor Elismar Rodrigues02/06/2016Nenhum comentário Leitura 5 min.
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Estadão
No Rio, manifestação se reuniu ao redor da Igreja da Candelária

Protesto na Avenida Paulista

Manifestação de mulheres contra a “cultura do estupro” no País e em solidariedade a vítima de violência sexual no Rio

A saída do Rio da adolescente de 16 anos, vítima de um estupro coletivo há 12 dias, está prejudicando a apuração do caso. A delegada Cristiana Bento, que investiga o crime ocorrido em uma favela carioca, lamentou a decisão dos governos federal e estadual de retirá-la do Estado. Por identificar contradições nos dois depoimentos prestados pela jovem, a delegada pretendia reinterrogá-la e acareá-la com os três suspeitos presos. Sem ela, ao menos um dos acusados pode ser solto.

“As versões (da vítima e dos acusados) são muito desencontradas. Não posso mais ouvir a jovem. Isso dificulta as coisas. Novas informações chegaram e eu não tenho como esclarecê-las com ela”, afirmou. Segundo a delegada, nos depoimentos, a vítima não se refere a alguns suspeitos como estupradores. Entre eles, Lucas Perdomo Duarte dos Santos, o Luquinhas, de 20 anos, e Raí de Souza, de 22, presos desde segunda-feira.

Jovem vítima de estupro coletivo presta segundo depoimento: Ao chegar à Cidade da Polícia (sede das delegacias especializadas, na zona norte) acompanhada da mãe e da advogada Eloísa Samy Santiago, a vítima teve a cabeça coberta por um agasalho e não deu entrevistas © Fornecido por Estadão Ao chegar à Cidade da Polícia (sede das delegacias especializadas, na zona norte) acompanhada da mãe e da advogada Eloísa Samy Santiago, a vítima teve a cabeça coberta por…

Luquinhas, jogador de futebol, foi preso porque estaria perto do local do crime, no Morro da Barão, e acompanhou a vítima em um baile funk antes da agressão sexual. Sem a acareação, ele pode ser solto hoje. Raí está preso porque as imagens divulgadas nas redes sociais foram filmadas por seu celular.

As diferentes versões apresentadas por Luquinhas, Raí e Raphael Duarte Belo, de 41 anos, suspeito que se apresentou ontem à polícia, levaram a delegada a decidir acareá-los. “Quero esclarecer isso. Vou botar um de frente para o outro. As versões estão desencontradas. Mas ninguém admite o estupro”, afirmou Cristiana.

O secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Paulo Melo, afirmou que a jovem estava ameaçada de morte e correria risco se ficasse no Rio. “Não há garantia de que conseguiríamos dar a proteção adequada se ficasse no Rio. A menina estava ameaçada, com medo. A ida (para fora do Estado) não quer dizer que ela não possa colaborar com as investigações”, afirmou Melo, para quem a Defensoria Pública, que atende a vítima, tem como fazer o contato entre ela e os investigadores. A jovem foi incluída no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte.

Antes de se entregar à polícia, Belo publicou no Facebook texto em que nega o estupro, mas admite ter feito uma foto ao lado da jovem nua. Ele diz que foi ao morro com Raí de Souza. Segundo ele, havia um rapaz no local, conhecido como Jefinho, que disse: “Tem uma mulher aí que não quer ir embora, está desde o dia do baile (funk)”. “Entramos os três. Ela estava deitada, nua, dormindo. O Raí puxou o celular e começou a gravar. Foi mais uma zoação, brincadeira, não machucamos ela.”

Justiça mandou levar menina para abrigo

A adolescente vítima de estupro já havia sido atendida, quando criança, no Centro de Atenção Psicossocial (CAPSi) da Taquara, zona oeste do Rio, serviço especializado em saúde mental e em tratamento e reinserção de pessoas com problemas de socialização. Em 2014, aos 14 anos, já mãe de um bebê de 1 ano, ela foi levada, por ordem judicial, a um abrigo destinado a jovens viciados em drogas.

“Vi que ela não ia acabar bem. A sensação que tenho hoje é de impotência”, disse uma funcionária ouvida pelo Estado. Ela contou ter passado “48 horas intensas” com a adolescente há dois anos e prefere não ser identificada, com medo de traficantes. Em 5 de agosto de 2014, um oficial de Justiça conduziu a adolescente à Casa Viva, unidade já extinta de um convênio entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e a ONG Viva Rio. A busca e apreensão dela havia sido decretada pela Justiça após recebimento de duas ligações com informações sobre seu comportamento.

Os parentes acompanhavam com temor a rebeldia da menina: ela saía sozinha desde os 11 anos, frequentava bailes funk em favelas sem autorização dos pais, engravidou aos 13 anos de um traficante cujo nome não consta da certidão de nascimento do filho e largou a escola. Fugiu do abrigo dois dias depois.

A medida foi tomada depois que a garota divulgou fotos em redes sociais com armas na mão. “Ela deixava o bebê com a mãe e saía para o baile. Os vínculos familiares vinham fragilizados. O domínio sobre os pais é total: ela agredia os dois fisicamente, sabia como desequilibrá-los. A mãe tem problemas psiquiátricos; o pai é idoso e tem saúde frágil (teve um acidente vascular cerebral, que lhe prejudica a fala e a mobilidade). Ela, o irmão, de 6 anos, e o filho dela, de 3 anos, ficam no meio disso. A avó, que é professora, é a mantenedora da família”, disse. / CLARISSA THOMÉ, CONSTANÇA REZENDE, FÁBIO GRELLET, LUCIANA NUNES LEAL e SERGIO TORRES

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Elismar Rodrigues
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Elismar Rodrigues é radialista e jornalista com atuação focada em informação local e cobertura de interesse público. Com experiência em comunicação e produção de conteúdo, contribui para o fortalecimento do jornalismo regional como editor chefe do portal Ouricuri em Foco. DRT 0004434/PE – Radialista | DRT-PE 0006914 – Jornalista

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