Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição brasileira ampliaria a rede de governos latino-americanos alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A avaliação é do jornal norte-americano The New York Times, que aponta o Brasil como uma das principais peças ainda fora desse grupo.
A análise ocorre após uma sequência de vitórias eleitorais de candidatos de direita na América Latina. De acordo com o jornal, sete eleições presidenciais realizadas na região nos últimos 18 meses terminaram com representantes desse campo político no poder.
Para o NYT, o peso territorial, econômico e populacional do Brasil torna a eleição de 25 de outubro especialmente relevante para a política dos Estados Unidos na região.
O jornal também destaca a proximidade política de Flávio com Trump. O candidato do PL já defendeu maior cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado e sinalizou interesse em aproximar o país de iniciativas norte-americanas voltadas ao enfrentamento de cartéis e facções.
A política de segurança adotada por Trump na América Latina inclui a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas e operações contra estruturas ligadas ao tráfico de drogas.
Especialistas ouvidos pelo jornal, porém, levantam questionamentos sobre a eficácia dessas medidas e os possíveis impactos sobre a soberania dos países da região. A reportagem também lembra as tensões entre os governos de Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante o atual governo brasileiro, Trump adotou medidas de pressão econômica e política contra o Brasil. Lula, por sua vez, tem defendido que os países latino-americanos preservem sua autonomia diante das ações de Washington.
O NYT também relaciona as propostas de segurança de Flávio Bolsonaro ao modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O candidato brasileiro já citou a experiência salvadorenha ao tratar do enfrentamento às facções criminosas.
A avaliação publicada pelo jornal norte-americano não representa uma projeção do resultado da eleição brasileira, mas uma análise sobre os possíveis efeitos geopolíticos de uma eventual vitória de Flávio no segundo turno.
Fonte: Diário de Pernambuco/The New York Times
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