O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recorreu a expressões populares nas redes sociais, memes e referências conhecidas do público jovem durante o debate com Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite dessa sexta-feira (23), na TV Globo. A estratégia apareceu em diferentes momentos do confronto, quando o petista citou o jogador Richarlison como “pai do bebê”, pediu que os eleitores pesquisassem informações no Google e chamou o adversário de “irmão do Tigrinho”.
Logo no primeiro bloco, Lula utilizou uma comparação com estudantes que decoram conteúdos para prestar vestibular, mas não conseguem demonstrar conhecimento sobre o assunto, para criticar o desempenho de Flávio. O presidente também sugeriu que os telespectadores pesquisassem na internet informações sobre investimentos realizados durante o governo de Jair Bolsonaro.
A referência ao Google voltou a aparecer quando os candidatos discutiram a região Norte do país. Lula questionou o conhecimento do adversário sobre Manaus e os investimentos federais na Amazônia. Flávio reagiu perguntando se quem governava o Brasil era o presidente ou o Google.
Outro momento ocorreu no quarto bloco, quando Lula mencionou uma disputa envolvendo o jogador Richarlison, atacante da Seleção Brasileira, e uma propriedade em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Ao apresentar o caso, o presidente utilizou dois apelidos associados ao atleta na internet. Primeiro, lembrou a comemoração de gols em que Richarlison imita um pombo. Depois, chamou o jogador de “pai do bebê”, expressão popularizada nas redes sociais.
O apelido surgiu de vídeos publicados por Dudu Daibert, cunhado do atacante, que passou a se apresentar como “tio do bebê” ao brincar com o nome do filho de Richarlison. A expressão ganhou repercussão entre seguidores do jogador e de sua família.
No debate, Lula questionou Flávio sobre a disputa por uma propriedade na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O presidente mencionou a versão apresentada por Richarlison, segundo a qual o jogador teria enfrentado dificuldades para regularizar a ocupação do imóvel, enquanto pessoas ligadas ao advogado Willer Tomaz teriam obtido documentação em prazo menor.
As circunstâncias da disputa são contestadas pelas partes envolvidas. Flávio nega participação direta no negócio, enquanto o advogado afirma que a aquisição dos direitos sobre a propriedade ocorreu legalmente.
A linguagem das redes também apareceu na discussão sobre os jogos de apostas online. Flávio chamou Lula de “pai do Tigrinho”, responsabilizando o governo petista pela regulamentação dessas atividades.
O presidente rebateu a acusação, atribuiu ao governo Jair Bolsonaro parte da responsabilidade pela expansão das apostas e chamou o ex-presidente de “pai do Tigrinho”. Em seguida, classificou Flávio como “irmão do Tigrinho”, em uma referência à relação familiar entre os dois.
A disputa sobre a responsabilidade pela regulamentação das apostas envolve decisões tomadas em diferentes governos. As apostas de quota fixa foram autorizadas por legislação de 2018, durante a gestão Michel Temer, tiveram novas medidas durante o governo Bolsonaro e foram regulamentadas posteriormente pelo governo Lula.
Apesar das referências bem-humoradas e das expressões populares, o debate também teve momentos de confronto pessoal. Flávio afirmou que Lula dava benefícios com uma mão e os retirava com “nove dedos”, fazendo referência à amputação sofrida pelo presidente em um acidente de trabalho.
Lula reagiu à declaração, relembrou as circunstâncias em que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda, aos 17 anos, e chamou o adversário de miliciano. Flávio pediu desculpas pela referência à deficiência física do presidente.
A utilização de expressões populares ocorreu após orientações da equipe de campanha para que Lula adotasse uma postura mais tranquila e concentrasse suas intervenções nas realizações do governo e nas propostas para um eventual novo mandato.
O confronto foi o último debate presidencial antes do segundo turno, marcado para este domingo (25).
Fonte: O Globo
Foto: Ricardo Stuckert

