No mesmo dia em que a bancada federal de Pernambuco iria realizar uma reunião com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, para protestar contra a suposta transferência de uma parte do projeto da Hemobras, para o Paraná, o governo Temer transformou o limão da oposição em uma limonada.
Se algum dia tentou de fato levar para o seu curral eleitoral parte do projeto da fábrica, o ministro do PP foi obrigado a recuar.
O lance mais inusitado, e político, foi que o ministro, no portal da pasta, foi obrigado a informar que atendia uma orientação do presidente da República, Michel Temer. Temer aparece para os pernambucanos como salvador da pátria.

A decisão também ‘humilha’ o PSB de Paulo Câmara. Na semana passada, o partido, embarcando na marola apresentada pela oposição federal e local, embarcou na defesa da unidade no estado, aderindo à campanha pela manutenção do projeto aqui.
Após o encontro, o Ministério da Saúde disse que fará negociações com os investidores detentores de tecnologia para iniciar a construção de uma fábrica de Fator VIII recombinante, no complexo de Goiana, em Pernambuco.
“Após a notificação do Ministério da Saúde, a empresa Shire aumentou a proposta de investimento anteriormente apresentada a Hemobrás, em Pernambuco, de US$ 30 milhões para US$ 300 milhões para construir uma fábrica de Fator VIII recombinante, no complexo de Goiana (PE)”, informou o ministério, em nota oficial. O caso cheira agora a chantagem, uma vez que a empresa Shire foi afastada pelo Ministério e em seu lugar prometeu-se colocar outra multinacional.
De acordo com o Ministério da Saúde, a construção da fábrica era uma obrigação não cumprida pela Hemobrás.

“Em função das negociações iniciadas pelo Ministério da Saúde, a empresa Shire apresentou nova proposta, com novos investimentos privados. Em razão da crise fiscal do país, a busca do Ministério da Saúde é realizar investimentos sem novos recursos públicos para esta finalidade, arcando somente com a compra centralizada de hemoderivados”.
No mesmo comunicado, o Ministério da Saúde diz que a multinacional afastada do projeto, Shire, agiu “provocada pela proposta da Octapharma para a construção de fábrica no Brasil”. No caso, a empresa Shire se manifestou interessada em realizar investimentos e manter a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a Hemobrás.
Segundo ainda a equipe de Ricardo Barros, a conclusão de fábrica para fracionamento de plasma humano, inacabada no complexo de Goiana (PE) e que também requer investimento privado, será objeto de outra negociação, uma vez que não está contemplada na proposta da Shire.
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